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O que fazer em caso de incêndio

Em Pedrógão Grande, mais de 60 pessoas morreram. Muitas tentavam fugir de carro quando foram apanhadas pelas chamas. Outras fecharam-se em casa, mas o fogo consumiu tudo o que lhe apareceu à frente. O que devemos fazer numa situação de incêndio? Como devemos ajudar os feridos? Como nos podemos proteger?

SE ESTIVER EM CASA
O fogo é sempre motivo de susto ou medo. Manter a calma quando se veem chamas a aproximar-se de casas pode ser difícil, mas é essencial para garantir a segurança. A calma é sempre a primeira regra. Logo de seguida, é necessário avisar os bombeiros e seguir todas as instruções.

Em casa, fecham-se as portas e janelas (os portões da rua não devem estar trancados e as luzes do exterior devem ficar acesas). Qualquer entrada tem de ser vedada para impedir que entrem faíscas e fumo. “Não se deve molhar a roupa. A água é muito condutora e aquece rapidamente, podendo provocar queimaduras graves. É preferível que a roupa esteja seca”, diz Domingos Xavier Viegas, professor da Universidade de Coimbra e especialista no combate a incêndios. O vestuário mais adequado são calças, camisola de manga comprida, luvas e um lenço para proteger a cara.

O telemóvel só deve ser usado em situações imprescindíveis (até porque não sabe quanto tempo durará a bateria, nem quando poderá carregá-la). O abastecimento de combustível à casa tem de ser desligado. No caso das botijas de gás, o melhor é tirá-las de casa e colocá-las “num local seguro longe do incêndio”. Outro conselho é ter disponíveis algumas ferramentas (incluindo pás e mangueiras) e recipientes grandes cheios de água.

Caso as autoridades decidam que é imprescindível evacuar a zona, não deve oferecer-se resistência. Todas as instruções dadas pelos bombeiros são para serem seguidas.

SE ESTIVER NO CARRO
Não há certezas absolutas do mais certo a fazer. “É preciso estudar mais”, alerta desde logo Xavier Viegas. No incêndio de Pedrógão, 47 pessoas morreram na Estrada Nacional 236 (30 estavam dentro das suas viaturas e 17 fora delas ou à beira da estrada), que faz a ligação com o IC8 e que não estava cortada.

Nestas circunstâncias, o primeiro passo é olhar em redor e tentar perceber se existe algum abrigo seguro por perto, onde seja possível chegar rapidamente. Se sim, então deve sair-se do carro e correr para esse ponto.

Caso não exista nenhum local, então o conselho pode ser diferente. “É tema muito sensível para o qual não há certezas. No entanto, diria que o melhor seja aguentar no carro o máximo tempo possível. Ficar até o fogo passar. Porque sair do carro e correr sem destino não é a solução. Se ficar no carro há maior probabilidade de salvamento”, explica o e especialista no combate a incêndios.

À semelhança do que acontece em casa, todas as janelas e portas do carro devem estar fechadas.

SE ESTIVER NA PRAIA
No final da tarde do passado sábado, muitas pessoas que atravessaram a “estrada da morte” vinham da praia das Rocas. Quando viram as chamas, meteram-se no carro para fugir. Mas em vez de se porem à estrada, não seria mais seguro ficarem dentro de água? Uma vez mais, diz Xavier Viegas, não há uma resposta certa.

“Ir para dentro de água não é uma garantia de salvamento”, diz. “Até porque em muitas praias fluviais há muita vegetação à volta que pode pegar fogo. No máximo, pode ser o local em que a probabilidade de se ficar seguro é maior”, acrescenta.

No entanto, uma coisa é certa: fugir de carro sem destino não é, seguramente, a melhor opção. “É preciso estudar muito mais estes casos para podermos aconselhar em condições as pessoas”, insiste o professor.

AJUDAR OS FERIDOS: VIGIAR, HIDRATAR E AFASTAR
O mais importante é tomar atenção a quem está em redor. Num cenário de incêndio, a pessoa está exposta a temperaturas muito altas (além do calor atmosférico, há também calor gerado pelo fogo), que pode provocar queimaduras corporais e também nas mucosas respiratórias. Depois, o ar está cheio de partículas de fumo e substâncias químicas que são irritantes e inflamatórias.

“Todas as pessoas que conseguirem não permanecer neste perímetro de incêndios, devem afastar-se. Estejam em casa ou longe destes locais. As que têm de permanecer por alguma razão, devem estar muito atentas umas às outras para ver sinais de agressão: queimaduras faciais (não é preciso ser grande, basta que seja do tipo queimadura solar), dificuldades respiratórias e alteração do estado de consciência”, explica Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde.

É essencial que as pessoas se afastem da zona de incêndio para não continuarem expostas à agressão. Devem ser hidratadas e, se apresentarem os sintomas, devem pedir ajuda médica. “A estes sintomas, as pessoas devem estar muito atentas”, insiste. Quem está no combate aos incêndios tem de fazer pausas, beber muitos líquidos e fazer refeições pequenas e ligeiras. O exercício físico violento agrava a desidratação e a dificuldade respiratória.

Em caso de queimaduras na pele, colocar uma toalha molhada nem sempre é a solução, alerta a Direção-Geral da Saúde. “Se houver uma lesão na pele é melhor não o fazer, pois ao colocar-se a toalha por cima, quando for preciso tirá-la o caso pode piorar. Portanto, pode ser contraproducente”, avisa Graça Freitas.

Notícia do Expresso de 21/06/2017.