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Só 5% ocupam cargos de topo

Os autores da obra “Homens e Igualdade de Género em Portugal”, que foi lançada esta semana, referem que “os avanços na educação das jovens não impedem que a escola deixe de reproduzir estereótipos”.

O Dia Internacional da Mulher comemora-se esta quarta-feira e com a data chegam os números, as estatísticas, os dados oficiais que lançam o alerta às organizações, aos homens, às mulheres, aos feministas, à sociedade civil.

O “Livro Branco – Homens e Igualdade de Género em Portugal”, que vai ser apresentado amanhã pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, conclui que uma maior educação das mulheres não implica igualdade laboral. Coordenado por Karin Wall, do ICS, o livro assegura que existem práticas e atitudes na ótica da “divisão diferenciada do trabalho com base na diferença sexual” que ainda persistem na atualidade.

“Os avanços na educação das jovens não impedem que a escola deixe de reproduzir estereótipos. Elas têm mais sucesso, só que há áreas em que persistem os homens, como as relacionadas com a matemática, as ciências naturais, a engenharia e as tecnologias”, referem os autores, citados pelo “Diário de Notícias”.

A obra, cujo lançamento acontece na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, em Lisboa, foi produzida no âmbito o projeto EEA Grants “O Papel dos Homens na Igualdade de Género” e tem como principal objetivo sintetizar a informação considerada relevante sobre homens, papéis masculinos e igualdade de género e contribuir para a identificação de desafios e recomendações no tema.

Segundo informações da Comissão Europeia, embora haja cada vez mais mulheres do que homens com um diploma universitário, a percentagem de mulheres na União Europeia à frente de empresas é inferior a 5%. As mulheres avançam sozinhas no ensino universitário, mas o mesmo não se verifica ao longo da sua carreira. Na generalidade, as mulheres trabalham em setores com salários mais baixos, além de que é menos provável que os homens interrompam as suas carreiras para cuidar dos filhos ou de familiares, o que leva a que a desigualdades que se refletem na remuneração por hora das mulheres, que é 16,7% mais baixa do que a dos seus colegas do sexo masculino.

Alteração legislativa

O Governo português tem procurado intervir nestas situações. A proposta de lei do executivo na matéria prevê que um terço dos administradores de empresas públicas e de sociedades cotadas tenham de ser do género feminino e estabelece um “regime da representação equilibrada entre mulheres e homens” nos órgãos de administração e de fiscalização das empresas do setor público empresarial e das empresas cotadas em bolsa.

No caso do Setor Empresarial do Estado, a proporção do género feminino para cada órgão de administração e de fiscalização não pode ser inferior a 33,3%, a partir de 1 de janeiro de 2018. No caso das sociedades cotadas, os 33% também são o valor de referência, mas pretende-se uma progressão gradual. A proporção não pode ser inferior a 20%, a partir da primeira assembleia-geral após 1 de janeiro de 2018, e a 33,3%, a partir da primeira assembleia- geral após 1 de janeiro de 2020.

Notícia do Jornal Económico de 6/3/2017.