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Enzima desconstrói plástico em dias

VASCO NEVES - 01 AGOSTO 2006 - Lixo que envolve o parque das comendas em set˙bal -2006/08/07-

Investigadores criaram um método que permite desconstruir plástico em apenas uma semana e dar origem a matéria para novos produtos

Cientistas da Universidade do Texas criaram uma enzima modificada que precisa apenas de alguns dias para desconstruir plástico, acelerando e muito um processo que demora séculos. O feito foi possível devido à utilização de aprendizagem de máquina para perceber como criar melhor uma proteína de atuação rápida que consiga desconstruir os blocos de PET, a resina sintética usada em fibras e plásticos e que representa 12% do desperdício mundial.

O processo de depolimerização e repolimerização demora apenas alguns dias. Aqui, um catalisador separa os blocos constituintes do PET em monómeros originais para depois poderem ser usados como plástico ‘virgem’ e dar origem a outros produtos. “Assim que temos um monómero original, é como se estivéssemos a fazer plástico fresco de raiz, com o benefício de que já não temos de usar recursos petrolíferos adicionais”, conta ao Motherboard Hal Alper, autor do estudo.

Segundo esta equipa, este processo traz vantagens face à reciclagem tradicional pois “se fossemos derreter o plástico e depois remoldá-lo, começaríamos a perder a integridade em cada volta que passasse. Aqui, se conseguimos depolimerizar e depois quimicamente repolimerizar, estamos a fazer PET virgem de cada vez”.

Esta abordagem não é inédita, havendo já 19 enzimas distintas que se propõem comer o plástico para o desconstruir, com as descobertas a derivarem essencialmente de processos que ocorrem na natureza.

A vantagem do método proposto por Alper é que a enzima consegue atuar em 51 tipos difererentes de PET e atuar numa ampla gama de temperaturas e condições de pH, o que não acontece com os métodos anteriores. O FAST-PETase (acrónimo para functional, active, stable and tolerant PETase) foi criado por um algoritmo alimentado com 19000 estruturas de proteínas e que aprendeu a otimizar e reorganizar as posições dos aminoácidos de formas de PET existentes para novas estruturas.

Os desafios seguintes a que a equipa tem de responder passam por tornar a enzima transportável e que possa ser produzida à escala industrial.

Clique aqui para ler a notícia da Exame Informática de 04/05/2022.