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Obesidade na Europa e em Portugal

A prevalência da obesidade para os adultos na região europeia da OMS é mais elevada do que em qualquer outra, excepto nas Américas, revela o novo relatório divulgado esta terça-feira. A pandemia agravou a situação. Em Portugal, 57,5% dos adultos vivem com excesso de peso ou obesidade.

O excesso de peso e a obesidade estão entre as principais causas de morte e de incapacidade na região europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui Portugal. No geral, cerca de dois terços dos adultos e uma em cada três crianças em idade escolar desta região vivem com excesso de peso ou obesidade. Estas são algumas das conclusões do Relatório da Obesidade da Região Europeia da OMS de 2022 divulgado esta terça-feira e que confirma ainda que durante a pandemia as pessoas com este problema de saúde foram “desproporcionalmente afectadas”.

No relatório, estima-se que o excesso de peso e a obesidade causem mais de 1,2 milhões de mortes anualmente, o que corresponderá a mais de 13% da mortalidade total da região considerada, que inclui 53 países. Na região europeia, 59% dos adultos e quase uma em cada três crianças (29% de rapazes e 27% das raparigas) têm excesso de peso ou vivem com obesidade. Aliás, a prevalência da obesidade para os adultos nesta região é mais elevada do que em qualquer outra, excepto nas Américas.

O excesso de peso e a obesidade também estão entre os principais factores de risco para a perda de qualidade de vida, causando 7% dos anos totais vividos com incapacidade na região. A obesidade é mesmo responsável pelo aumento do risco de muitas doenças não-transmissíveis, como o cancro, doenças cardiovasculares, diabetes de tipo 2 e doenças respiratórias crónicas. Por exemplo, é considerada uma causa de pelo menos 13 tipos diferentes de cancro e é, provavelmente, responsável directa por pelo menos 200.000 novos casos de cancro todos os anos na região.

E Portugal?
Também em Portugal a maioria dos adultos vive com excesso de peso ou obesidade. Ao todo, são 57,5% (63,1% dos homens e 52% das mulheres). Desses, 20,8% vivem com obesidade (20,3% dos homens e 21,2% das mulheres). Quanto às crianças, cerca de uma em cada três crianças tem excesso de peso ou obesidade e mais de 10% delas têm mesmo obesidade.

A obesidade ou o excesso de peso causaram 8,6% das mortes, de acordo com o estudo Carga Global da Doença de 2019. Quanto à perda de qualidade de vida, 6,7% dos anos totais são vividos com incapacidade.

Em respostas enviadas ao PÚBLICO, o Gabinete Europeu da OMS para Prevenção e Controlo de Doenças Não Transmissíveis destaca que Portugal tem valores melhores do que outros países, mas que continua a tê-los muito elevados.

Há ainda um outro dado a destacar: em Portugal – tal como na Hungria, na Irlanda, em Espanha ou no Reino Unido – estima-se que mais de 20% das mulheres vivam com obesidade quando ficam grávidas. “Mulheres com obesidade quando ficam grávidas têm dietas pobres e níveis baixos de actividade física; elas têm um risco mais alto de abortar, ganho de peso gestacional excessivo, diabetes gestacional, alterações na hipertensão, nados-mortos e hemorragias pós-partos”, lê-se no relatório.

A relação com a covid-19
Outros dos destaques do relatório é a pandemia. Pessoas que vivem com excesso de peso e com obesidade foram “desproporcionalmente afectadas” pelas consequências da pandemia de covid-19, destaca-se num comunicado sobre o relatório. Essas pessoas estavam mais em risco de ter doença grave e consequências se tivessem covid-19. Indica-se ainda que, durante a pandemia, foram feitas mudanças desfavoráveis no consumo alimentar e nos padrões da actividade física, o que teve efeitos na saúde da população. Para que a situação mude, refere-se no comunicado que “precisam de ser feitos esforços significativos para a reverter”.

“A obesidade não conhece fronteiras. Na Europa e nas regiões da Ásia Central, nenhum país está prestes a alcançar o objectivo da OMS de travar o aumento da obesidade”, afirma Hans Kluge, director regional da OMS para a Europa, em comunicado. “Os países na nossa região são incrivelmente diversos, mas todos têm este desafio a algum nível. Ao se criarem ambientes que são mais propícios, ao promover o investimento, a inovar em saúde e ao desenvolver sistemas de saúde resilientes e fortes, podemos mudar a trajectória da obesidade na região.”

Nas respostas enviadas ao PÚBLICO, a OMS destaca ainda que a obesidade é uma doença multifactorial. Esses factores incluem uma grande parte da população que consome refeições fora de casa ou, quando escolhe comer fora da sua habitação, essa refeição tem calorias a mais. Também se salienta que as aplicações para encomendar comida podem ser uma boa opção e que elas devem promover certas medidas ao nível da nutrição, como rótulos sobre a nutrição para que os consumidores possam escolher as opções mais saudáveis.

Quanto ao combate a este problema, no relatório realça-se a importância da monitorização da obesidade ou de medidas fiscais. Um dos exemplos destacados pela OMS é a aplicação de taxas sobre bebidas açucaradas introduzida em Portugal. As restrições da publicidade a alimentos que não são saudáveis para as crianças ou a melhoria do acesso a serviços de saúde relacionados com o controlo da obesidade são outras das soluções realçadas. No relatório, há mesmo um destaque para uma medida em Portugal: refere-se que desde 2019 que a publicidade a alimentos com elevado teor de açúcar, sal e gordura está proibida num raio de 100 metros das escolas e em programas infantis de televisão e rádio. O documento indica ainda que devem ser feitos esforços para se melhorarem as dietas e a actividade de vida ao longo da vida das pessoas, como a medidas para se criarem ambientes que melhorem o acesso a alimentação saudável e mais oportunidades de actividade física.

Clique aqui para ler a notícia do Público de 03/05/2022.