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Precisa-se UMa internacionalização?

Em Portugal, as Instituições de Ensino Superior têm apostado cada vez mais na internacionalização.

Em comparação com o ano passado, em que já se verificava o impacto negativo da situação pandémica, houve um crescimento de cerca de 13% no número de estudantes estrangeiros matriculados nas universidades e nos politécnicos públicos. Segundo a estimativa do PÚBLICO, foi o segundo melhor resultado desde 2014-2015, com cerca de 4427 alunos, só sendo ultrapassado pelo ano lectivo 2019-2020, com 4548 alunos. Mais estudantes estrangeiros implicam maior reconhecimento internacional e, consequentemente, maior crédito para a Instituição e para a Região onde se insere.

A Universidade da Madeira tem o maior crescimento nacional na captação de estudantes estrangeiros. Matricularam-se, neste ano lectivo, um total de 114 estudantes, o que representa um aumento de 3.7 vezes em relação a 2020-2021 (31 estudantes).

Este ano, dos alunos estrangeiros matriculados na UMa, 70% provêm de São Tomé e Príncipe, ao abrigo de um protocolo com o seu Ministério do Turismo e Cultura.

Caso não fosse concretizado o protocolo, a UMa apenas teria um acréscimo de 3 estudantes estrangeiros relativamente ao ano lectivo anterior. Conclui-se, então, que a realização de protocolos é benéfica para as Instituições, contudo não é boa prática dependermos de uma única solução. Num futuro próximo, será a UMa capaz de estabelecer novos protocolos internacionais? De aumentar a sua área de actuação e de influência? Recorre a estratégias de promoção adequadas, como o marketing digital? Ou continuará a ser uma universidade local, à sombra do sucesso de alguns alumni que singraram internacionalmente.

Num mundo cada vez mais global e digitalizado, em que a R.A.M. também pretende beneficiar desta evolução tecnológica, não fará sentido começarmos a apostar em cursos e formações de ensino-aprendizagem em formato quase ou totalmente remoto, como o fazem universidades de topo em todo o mundo? Não se trata de substituir a oferta formativa acreditada pela A3ES que é leccionada presencialmente, mas sim captar mais alunos, nacionais e internacionais.

Há cursos de duração variável leccionados na Internet, em que as instituições se dão a conhecer, os seus recursos humanos e físicos, e às novidades que trazem para as diferentes áreas do saber. Esses cursos, cobram taxas como o emolumento para obtenção do certificado digital, reconhecido internacionalmente. Há troca de saberes entre investigadores e profissionais nas mais diferentes áreas, que acabam por incluir nos seus currículos estas formações, promovendo activamente a instituição onde as realizaram. Os custos da formação são menores do que as próprias aulas presenciais, uma vez que as turmas são compostas por centenas, ou milhares de pessoas, as quais pagarão 20€, 50€, 100€ (e mais) para obtenção do certificado.

Temos que trabalhar nesse sentido, não só ao nível educativo, como também no administrativo, com a redução da burocracia e o emprego do bom marketing.

Acham que a publicidade e o marketing digital da UMa são deveras adequados? Será que têm sido suficientes? Serão, sobretudo, eficazes junto do público-alvo? A marca UMa é forte regionalmente, mas a nível nacional e internacional podemos dizer o mesmo?

Podíamos colocar outras questões, mas devemos começar a analisá-las, de modo a encontrar os pontos fracos e fortes, corrigindo uns e melhorando os outros.

 

Alex Faria
Presidente da Direcção da Académica da Madeira
Clique aqui para ler o artigo de opinião no JM de 13/01/2022.