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O “glaciar do Apocalipse”

Cientistas vão para um dos ambientes mais duros no mundo, na tentativa de perceber o quão rapidamente está o Thwaites, na Antártida, a derreter. O glaciar, duas vezes maior do que Portugal, pode provocar uma subida catastrófica do nível do mar.

Uma equipa de cientistas vai partir numa missão de dois meses para explorar a vasta camada de gelo Thwaites, num dos lugares mais remotos do mundo. Trinta e dois investigadores vão embarcar num navio de exploração americano para estudar a fundo o glaciar de 192 mil quilómetros quadrados – mais do dobro da área de Portugal –, que está a derreter e uma velocidade alarmante.

O glaciar tem o potencial de causar uma subida do nível do mar em 65 cm, o que provocaria milhões de desalojados um pouco por todo o mundo – é por essa razão que é apelidado de “glaciar do Apocalipse”. Atualmente derrama cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo para o mar todos os anos, sendo responsável por 4% do aumento do nível do mar.

Num dos pontos mais a leste da península antártica, a vasta camada de gelo encontra-se afastada de qualquer uma das estações de investigação no Continente Branco. Os Estados Unidos e o Reino Unido investiram cerca de €44 milhões nesta missão conjunta.

A oceanógrafa Anna Whalin, da Universidade de Gotemburgo, Suécia, explica o porquê deste glaciar ser ainda tão desconhecido ao conhecimento científico: “O Thwaites é o principal motivo pelo qual temos tantas incertezas nas projeções da futura elevação do nível do mar, isto porque se encontra numa área muito remota, de difícil acesso”, afirmou. “Está configurado de uma forma que faz com que se torne potencialmente instável. E é por isso que estamos preocupados com a sua evolução.”

O receio dos cientistas prende-se com a vulnerabilidade do glaciar ao degelo, causado pelas cada vez mais altas temperaturas da água, e com a perda de fricção na área em que se fixa no fundo do mar. As centenas de fraturas, algumas com até quase dez quilómetros, tornaram-se motivo de profunda preocupação para a comunidade científica internacional.

Clique aqui para ler a notícia da Visão de 08/01/2022.