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Aragão, um espírito irrequieto

António Aragão foi um homem de espírito irrequieto, inconformado e inovador
Rui Carita

Já à venda na GAUDEAMUS, na Bertrand, na WOOK, na Fnac e na GAUDEAMUS.pt.

A obra será apresentada no Colégio dos Jesuítas do Funchal, reitoria da Universidade da Madeira, dia 22 de dezembro, pelas 17:00 e contará com a presença do Exmo. Sr. Secretário Regional de Turismo e Cultura.

ANTÓNIO ARAGÃO: VIDA E OBRA

Para comemorar o centenário do nascimento de António Aragão, o Governo Regional da Madeira empreendeu um ambicioso programa de atividades em diferentes áreas da cultura que evoca e dá a conhecer o artista, o investigador, o autor e a pessoa de Aragão.

António Aragão foi um homem de espírito irrequieto, inconformado e inovador, dotado de uma enorme “curiosidade nómada”, capaz de fazer a ponte entre diversas áreas do conhecimento e da criação. Possuía uma profunda ligação às suas raízes insulares, que sublinhava no seu discurso quotidiano.

A sua obra em prol da defesa do património cultural madeirense foi talvez o seu mais importante legado, além das vertentes pictórica, escultórica, experimentalista e literária, génese de grande parte da obra plástica mais original e madura.

Foi uma das mais importantes personagens da cultura madeirense da sua época, com repercussões nacionais e internacionais, em especial na poesia experimental e concreta, em ambas as margens do Atlântico.

Estas palavras de Rui Carita, que pretendem introduzir o leitor nesta exemplar biografia de António Aragão, são de alguém que travou com o próprio Aragão e que pôde testemunhar o seu processo e a realização da sua obra.

Este livro, apoiado pelo Secretaria Regional de Turismo e Cultura, integra documentos e imagens de obras cedidas por várias instituições e personalidades detentoras de trabalhos de António Aragão.

Rui Carita contextualiza António Aragão no seu tempo, no seu espaço e na cultura em que se embrenhou, levando-nos a admirar a obra deste génio multifacetado e a compreender até que ponto ele é um marco da cultura madeirense.

António Aragão

António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia nasceu em 22 de setembro de 1921, na freguesia de São Vicente, no concelho do mesmo nome, filho de Henrique Agostinho Aragão Mendes Correia e de Maria José de Sousa.

Estudou no Liceu Jaime Moniz, no Funchal, e já, nos anos 40, licenciou-se em Ciências Históricas-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Foi em Lisboa que frequentou ainda a Escola Superior ou o atelier da Academia de Belas Artes de Lisboa, de onde surgem alguns trabalhos assinados como Aragão Correia e outros, mais tardios, já como Aragão.

De volta à Madeira, em 1953, assume funções de conservador no Arquivo Distrital do Funchal, e, no ano seguinte, torna-se delegado de Belas Artes da Junta Nacional da Educação.

António Aragão integra a elite cultural da Madeira desde esses primeiros anos de trabalho, relacionando-se, entre outros, com Cabral do Nascimento, Alfredo Gomes de Barros, entre outros.

Foi uma das personalidades-chave da conservação do património material, sendo responsável ou co-responsável por, entre outros projetos, várias escavações arqueológicas, o estabelecimento do Museu da Quinta das Cruzes e a recuperação do Mosteiro de Santa Clara.

Desenvolveu registos de vários tipologias de construções populares, como tipos de habitações rurais e urbanas, palácios, templos, ou simples engenhos de moagem de cereais.

O seu conhecimento na arquitetura das Ilhas da Madeira e do Porto Santo, tornaram-no uma das vozes maiores no desenvolvimento urbanístico do Funchal e de outras localidades.

Peregrino do conhecimento, conseguiu, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, estudar em Paris e no Vaticano, vindo a aplicar o que aprendeu na valorização da herança cultural do seu arquipélago natal.

Na área do património imaterial, realizou gravações audio, recolhas escritas e até registos fotográficos da cultura popular em diferentes zonas rurais da Madeira e do Porto Santo.

Investigador da História Local, publicou vários trabalhos que continuam a servir de base à investigação científica em diversas áreas.

António Aragão, a par desta intensa atividade profissional, foi ainda um artista profícuo trabalhando em diversos ramos das artes, como a pintura, a escultura, a instalação, a cerâmica, a performance, a poesia, a dramaturgia e o romance.

Aposentou-se em dezembro de 1986, fixando-se em Lisboa. Porém, regressaria várias vezes ao Funchal, onde manteve a residência na Calçada do Pico, continuando a colaborar com diversas iniciativas culturais e patrimoniais, como aconteceu, no anos 1990, com a recuperação do Palacete Nicolau Geraldo de Freitas Barreto, atual delegação do Tribunal do Comércio no Funchal, à rua do Esmeraldo.

Os trabalhos de António Aragão (muitos, como Aragão Correia) são visíveis na paisagem urbana de muitos locais do Arquipélago: a Secundária Francisco Franco, o Mercado Municipal de Santa Cruz e os Paços do Concelho de Santana, integram exemplos de trabalhos seus, em escultura ou em cerâmica, nas fachadas.

Há muitos outros trabalhos nos espaços de diversas instituições portuguesas e internacionais e, até, a integrar várias coleções particulares.

Recentemente, uma parte do seu espólio foi adquirida pelo Governo Regional da Madeira, mostrando que muito falta por descobrir e perceber sobre esta tão complexa figura madeirense.

Para conhecer mais sobre António Aragão, visite a sua página aqui.

Sobre o Autor
Rui Carita ( 1946 ; – )

É professor emérito e provedor do Estudante da Universidade da Madeira, instituição onde exerceu funções de vice-reitor e de pró-reitor para a área de projectos científicos.

Foi professor convidado da Universidade de Pisa, em Itália, e assessor para a recuperação de património na Universidade de Santa Catarina, no Brasil.

Em 2013 editou, em parceria com a Associação Académica da Universidade da Madeira, a obra Colégio dos Jesuítas – Memória Histórica, o que constituiu o primeiro passo para a abertura do antigo Colégio dos Jesuítas do Funchal ao público.

Em 2012 foi convidado a integrar um projecto similar, no sultanato de Sarjah, nos Emirados Árabes Unidos, que envolveu trabalhos de arqueologia nas antigas fortalezas portuguesas do Golfo da Arábia.

Tem orientado teses de mestrado e de doutoramento em universidades portuguesas, italianas, espanholas e marroquinas, onde também tem integrado júris, especialmente nas áreas do Património Edificado, da Arquitectura e Urbanismo, da Arqueologia e das Artes Decorativas.

É autor de cerca de 50 livros de 200 catálogos, além de roteiros de comunicações editados em várias línguas. Em 2010, foi editado o seu Roteiro Republicano, referente à Madeira e, em 2008, os vários trabalhos sobre a história da cidade do Funchal, pela comissão Funchal 500 anos, responsável pelas celebrações do 5.º centenário da elevação do Funchal a cidade, e pelos CTT – Correios de Portugal.

Sobre a Editora
IMPRENSA ACADÉMICA

A primeira imprensa universitária, em Portugal, nasceu em Coimbra, no séc. XVI, durante o reinado de D. João III.

A IMPRENSA ACADÉMICA é uma editora universitária criada, em 2014, pela ACADÉMICA DA MADEIRA, que é a sua proprietária e gestora.

Premiada, em 2019, com o galardão Boas Práticas do Associativismo Estudantil, pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, a equipa editorial da IMPRENSA ACADÉMICA é composta por estudantes e investigadores da Universidade da Madeira e de outras instituições nacionais e internacionais.