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Quem conta um conto…

Como ser um contador de histórias na Madeira?

Todos temos ideias e mensagens para transmitir aos outros, mas nem sempre sabemos como expô-las ou temos a confiança ou a experiência necessária para o fazer da melhor forma.

O Storytelling é uma das técnicas mais eficazes para o fazer. 

Como recurso comunicacional que é, o Storytelling é a arte de contar, de desenvolver e de adaptar histórias, dando-lhes um princípio, um desenvolvimento e uma conclusão, através das personagens, da envolvência, do antagonismo e da mensagem que se pretende a transmitir, de forma a criar uma forte conexão com o ouvinte.

A Académica da Madeira desenvolveu, assim, a iniciativa How to be a Storyteller in Madeira, uma formação de dois dias sobre a temática, especialmente dedicada a alunos e antigos alunos da Universidade da Madeira e jovens Voluntários Europeus.

Contámos com a participação de Xavier Miguel, actor, fundador e director da Associação Teatro Bolo do Caco, grupo de teatro local dedicado à criação de espectáculos dramáticos de rua, nas áreas da Animação e do Teatro. 

Como formador principal, a Académica trouxe, ao Funchal, Mattia Di Pierro, jovem actor italiano que, além de ser Storyteller internacional, integra o Comité Executivo da Federation of European Storytelling (FEST).

 

Dia 13

A formação começou pelas 08:30. 

O grupo de formandos, que havia realizado a inscrição através da internet foi recebido no Colégio dos Jesuítas, edifício histórico e monumento nacional de Portugal, que acolhe a Reitoria da Universidade da Madeira.

Era uma bela manhã de Sábado e a calma conventual deste antigo Colégio bem no coração da cidade ajudou a relaxar os nervos da expectativa.

Os participantes conheceram a equipa de apoio, assinaram a folha de presenças e receberam as principais informações sobre instalações, horários e outras questões.

O grupo foi apresentado aos formadores, Mattia di Pierro e Xavier Miguel, e, seguidamente, foi dividido em duas turmas mais pequenas, para poderem participar das oficinas de trabalho dessa manhã.

Às 09:00, começaram as oficinas de trabalho.

Uma das turmas ficou com Mattia em Body, Presence and Movement.

Esta oficina obrigou os formandos a conhecerem e a trabalharem a sua linguagem corporal e a expressividade dos movimentos perante a primeira grande dificuldade para quem se apresenta perante um público: enfrentá-lo!

Ó, não, tanta gente!

Eles estão a olhar para ti, tem calma vai correr tudo bem!

E se tudo correr mal?

Faz qualquer coisa, mexe-te!

Estou a ficar mal-disposto!

Sim, estar diante de um público não é o mesmo que ser a estrela das nossas histórias, na segurança da nossa intimidade. Assim é necessário:

  1. Aprender a preencher espaços que à última hora ficam vazios;
  2. Aprender a passar ao público a confiança que temos no nosso trabalho;
  3. Aprender a mostrar força e segurança na voz e no movimento do nosso corpo.

Mattia organizou jogos e exercícios para ajudar a enfrentar estas situações:

Vocês são como as árvores, mostrem como as vossas raízes são firmes e o tronco erecto.

Agora sintam a leve brisa que agita as vossas folhas. Sopra um vento capaz de mover os ramos.

Com a ventania, até o tronco se inclina.

E ao fundo da sala, uma pequena coluna de som dava música à floresta.

 

Às 10.00 fez-se uma pausa de 30 minutos para tomarmos um pequeno lanche.

Os participantes puderam apreciar uma outra a exposição EverydayCovid.

Numa forma de diferentes de contar histórias, através de imagens captadas pelas suas lentes, dezenas de fotógrafos registaram momentos da luta conjunta contra a Pandemia de Convid por todo o território nacional.

O trabalho, reunido num livro pelos mentores da iniciativa, foi transformado numa exposição pela Académica da Madeira.

Terminada a pausa, foi tempo de outra oficina de trabalho. Mattia recebeu a segunda turma, enquanto a primeira turma se juntava a Xavier na sua sala de trabalho para desenvolver Teatro e Histórias com Manteiga d’Alho

Numa abordagem diferente, Xavier começou por estabelecer uma dinâmica de grupo, através da exploração de jogos de construção de histórias de improviso, em grupo, bem como a simples acção de contar de história de memória ou de ler um texto narrativo para o grupo.

Seguidamente, a oficina explorou construções de expressões, na mímica, nas vivências e na conceptualização de cada um:

Como é que nos movimentamos quando andamos?

Como é que nos sentamos?

Vamos ver agora de que expressar-nos só usando movimentos.

Como expressamos a tristeza de um personagem?

Como será a sua felicidade?

E a fúria?

Entretanto chegou a parte de estabelecer as narrativas dramatizadas, com progressivo grau de dificuldade:

  1. Mímica
  2. Uso de diferentes objectos
  3. Interacção com um colega
  4. Interacção com a turma

Vejam que tipo de exercício mental precisam fazer?

Vamos desenvolver o improviso e a adaptação ao objecto, à situação ou ao outro personagem.

A história tem que fazer sentido ao público é esse o objectivo do nosso trabalho.

Com tanto trabalho, as 13:00 chegaram rapidamente.

Após uns minutinhos para colocar as questões finais aos formadores, os participantes foram almoçar.

Às 14:00, de regresso ao Colégio dos Jesuítas, Mattia di Pierro iniciava a sua conferência Storytelling.

Abordou os conceitos teóricos subjacentes aos exercícios a esta prática, contextualizando os exercícios realizados de manhã na acção de narrar e, consequentemente, as inúmeras aplicações que essa competência comunicacional tem.

Mattia fez uma apresentação em diapositivos, conjugando demonstrações práticas suas, com o auxílio de alguns dos presentes.

Os participantes ficaram ainda a conhecer melhor a organização FEST, o seu trabalho e a sua distribuição pelos diferentes territórios europeus.

No final da apresentação, houve tempo para perguntas e para uma discussão sobre a temática e o seu emprego no dia-a-dia dos participantes, aqui na Região Autónoma da Madeira.

Por volta das 16:00, a sessão terminou, passando-se as últimas informações para o dia seguinte.

 

Dia 14

Domingo, os participantes voltaram, prontos para mais um dia de trabalho, desta vez fora de portas, no Pátio dos Estudantes, rodeado por diferentes alas do Colégio dos Jesuítas, bem no coração do Funchal.

Entre o som dos pássaros e do sino da antiga Igreja do Colégio, Mattia desenvolveu a primeira parte de Voice, Rhythm and Style.

Os primeiros exercícios desenvolvidos foram sobretudo de aquecimento do corpo e da voz, bem como de conhecimento dos seus limites.

Em seguida, enquanto o Mattia contava uma história, os participantes tinham que a narrar através dos movimentos do corpo.

Sintam como o tom da história muda.

O ritmo é mais rápido nesta parte.

O vosso corpo tem que mostrar a dinâmica da história.

 A meio da manhã, fez-se uma pausa para o café, novamente perto da Horta dos Padres, o jardim onde foi tirada a fotografia de grupo.

De regresso ao trabalho, Mattia levou os participantes para uma grande sala onde, ao som de música realizou exercícios de expressão corporal, com diferentes melodias e compassos.

Ainda ao som de música, foram exploradas as possibilidades da voz através de jogos, destinados a envolver, conectar e se motivar o público.

No final, experimentaram, ritmos e estilos, de forma a construir uma história:

Um história tem de ser contada como se fosse uma música colorida e vibrante.

Terminados os trabalhos da manhã, fez-se uma pausa para o almoço.

Às 14:30, ao longo da Avenida Arriaga, foi desenvolvida uma visita guiada History Tellers in the Heart of the City, iniciativa organizada pela Académica da Madeira. 

Ali, onde estão o Teatro e o Jardim Municipal este outrora o Convento de São Francisco do Funchal.

Os frades franciscanos estão na origem de muitas das tradições natalícias madeirenses tais como as lapinhas e os autos de Natal.

As primeiras freiras de São Francisco, as clarissas, criaram outras tradições madeirenses, como o bolo de mel de cana de açúcar.

Esta visita, um exemplo do Storytelling na Madeira, permitiu também aos participantes conhecerem um pouco mais sobre o património material e imaterial da Região.

Dando especial destaque à origem das tradições natalícias madeirenses, pela aproximação da quadra, foi um passeio diferente pelas ruas da cidade, com passagem pelo espaço da 47.ª Feira do Livro do Funchal.