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Aproveitar o sol para cozinhar

Os fogões e fornos solares foram introduzidos originalmente na aldeia de Villaseca, no Chile, através de um projeto experimental para aproveitar o sol para cozinhar. Agora, já são vários os restaurantes ao longo do país que investiram nesta inovação sustentável

A aldeia de Villaseca, no Chile, tornou-se uma das primeiras com restaurantes que trabalham com fornos solares. Tudo começou em 1989, pelas mãos de um grupo de investigadores do Instituto de Nutrição e Tecnologia Alimentar da Universidade do Chile. Com o intuito de ajudar as famílias da zona isolada do Vale do Elqui, no deserto de Atacama, a sair da pobreza – dando-lhes uma fonte de energia gratuita e amiga do Ambiente, evitando o corte das poucas árvores na região -, os cientistas fizeram uma experiência: primeiro com fogões solares parabólicos que refletem os raios solares numa grelha central, e depois com os fornos solares em caixa, com tampas de vidro, para provocar efeito de estufa, que viriam a ser os mais populares.

Como resultado, os participantes conseguiram perceber que os fogões solares parabólicos concentravam o calor muito rapidamente, o que fazia deles um ótimo substituto para coisas que normalmente se fariam num fogão, tais como pôr água a ferver. Os fornos solares em caixa tanto podiam cozer lentamente como ter a funcionalidade de um forno tradicional para cozer pão e sobremesas.

“No início eram apenas pessoas a cozinhar para as suas famílias, mas depois os turistas estrangeiros começaram a chegar à cidade [Vicuña] a pedir para ver as pessoas que cozinhavam com o sol, e foi quando nasceu a ideia de procurar um local na aldeia de Villaseca para formar uma associação solar”, disse Juan Ibacache, diretor da Associação Comercial de Artesãos Solares de Villaseca, citado pela BBC Travel.

Sucesso replicado

Este sucesso de eficiência energética, particularmente adequado para a comunidade apropriadamente chamada de ‘Villaseca’ ou ‘Cidade Seca’, por receber cerca de 310 dias de sol por ano, levou a associação a abrir, em 2000, o primeiro restaurante solar, Delícias del Sol. Desde aí, já foram criados mais dois restaurantes na aldeia, bem como outros ao longo do norte chileno.

“O benefício de viver aqui é termos sol praticamente todos os dias do ano”, disse Luísa Ogalde, do restaurante Ogalde’s, aberto desde 2018, explicando que o utiliza – em vez de gás, eletricidade ou lenha – para “alimentar” o seu restaurante. Luísa utiliza oito fornos solares em caixa, bem como um fogão solar parabólico e um desidratador solar, para fazer ch’arki de cabra (carne salgada e seca ao sol com o objetivo de mantê-la própria ao consumo por mais tempo), um ingrediente chave no prato chileno ‘charquicán’.

Ruth Moscoso, que dirige o restaurante solar Qori Inti (que significa “sol radiante” na sua língua nativa “aymara”), recorre a quatro fogões solares parabólicos para preparar pratos tradicionais. “Na nossa cultura, temos uma forte consciência ambiental”, salientou Moscoso, que lançou o projeto para honrar suas tradições e costumes, mas também para otimizar o que o país tem, “que é sol e calor”.

A chefe chilena, que passou anos a fundir os dois – sol e calor – para criar outras versões dos seus pratos nativos cozinhados ao sol, destacou que o conceito “é realmente uma convergência de tradição e inovação”. “Queria incluir estes pratos típicos do Altiplano [área de drenagem interior situada nos Andes centrais, ocupando partes do norte do Chile e da Argentina], que a maioria das pessoas nunca provou, e promover uma consciência verde que as pessoas levarão consigo quando deixarem o restaurante.”

O estabelecimento está agora a inovar novamente com um tipo especial de forno solar, que cozinha comida dentro de um tubo de vidro em vácuo que absorve a luz solar e a transforma em calor, para assar rapidamente alimentos que normalmente se fariam num forno tradicional.

Em Santiago, capital do Chile, a nova empresa de inovação tecnológica no mundo da cozinha solar Antu Cocina Solar está a lançar agora um fogão solar semelhante ao estilo tubo, desenvolvido sob um modelo de economia circular que beneficia tanto os utilizadores como o Ambiente, ao transformar os resíduos plásticos num aparelho sem poluição para a cozinha. Javier Henríquez Hernández, diretor de marketing da Antu, disse que a empresa espera “trabalhar em iniciativas que possam impactar diretamente as comunidades”, dando-lhes novas ferramentas para cozinhar em lugares remotos e obter um rendimento.

Numa tentativa de incentivar mais chilenos a cozinhar com o sol, o Centro de Investigação de Energia Solar do Chile também criou um tutorial no início deste ano para que qualquer pessoa com algumas ferramentas básicas possa fazer o seu próprio forno solar de caixa em casa.

Clique aqui para ler a notícia da Visão de 16/09/2021.