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Espécie dada como extinta reaparece

Uma espécie de rato australiano, dada como extinta há 125 anos, reapareceu na ilha de Shark Bay, Austrália. Outros reaparecimentos têm ocorrido por todo o mundo na natureza e surpreendido os investigadores

A última vez que um rato de Gould (Pseudomys gouldii), uma espécie nativa da Austrália, tinha sido identificado foi em 1895. Desde então, pensava-se que a espécie estava extinta, mas em 2020, 125 anos depois, um grupo de investigadores redescobriu a espécie numa pequena ilha em Shark Bay, no oeste da Austrália.

Numa fase inicial, os investigadores acreditavam que o animal era um roedor típico da ilha, mas depois de uma análise, onde compararam o ADN de ratos domésticos, conhecidos como camundongos, expostos em museus de Londres e da Austrália, com o da espécie encontrada, constataram que afinal era um rato de Gould.

Este fenómeno cada vez mais frequente, em que certas espécies são consideradas extintas e vários anos depois são redescobertas, é conhecido por “Efeito Lázaro”, por inspiração na passagem da Bíblia em que Jesus Cristo ressuscita Lázaro de Betânia do mundo dos mortos.

O especialista David Roberts, do Instituto de Conservação e Ecologia da Universidade de Kent, no Reino Unido, defende que, em certos casos, a falta de dados pode prejudicar as avaliações sobre a existência de determinada espécie. “Normalmente, os cientistas usam os melhores dados disponíveis para identificar uma espécie como extinta. Às vezes erram por falta de dados”.

No caso da Austrália, desde que a colonização europeia ocorreu, em 1788, já foram consideradas extintas 34 espécies de mamíferos terrestres. O caso do rato-canguru de Gilbert, um outro roedor australiano descoberto em 1840, esteve desaparecido durante mais de um século e meio e, por isso, foi considerado extinto. No entanto, em 1994, a investigadora Elizabeth Sinclair encontrou dois exemplares enquanto tentava identificar outra espécie. “O facto de muitos desses animais não serem encontrados novamente como adultos sugere que a maioria dos habitats disponíveis foram ocupados [por outros animais].” Atualmente, estima-se que restem cerca de 100 exemplares, depois de um incêndio, em 2015, reduzir a área em que vivem em mais de 90%.

Outros animais já foram dados como extintos e voltaram a aparecer na natureza, como por exemplo o celacanto, um peixe pré-histórico extinto há 65 milhões de anos e redescoberto em 1938, na costa sudeste africana, perto de Madagáscar e na Indonésia. Uma análise analisou os genes do peixe e determinou que eram duas subespécies diferentes (a que vive na Indonésia e a que banha a costa africana), que se separaram há milhões de anos. Um estudo de 2021 indicou que essas espécies podem viver até um século, especialmente em áreas entre 160 e 200 metros de profundidade, onde os mergulhadores não conseguem aceder, dificultando o seu avistamento.

Uma tartaruga gigante de 90 anos, encontrada nas ilhas Galápagos, em 2019, pertence a uma espécie que se acreditava estar extinta desde 1906. A fêmea, denominada Fernanda, tem genes em comum com a antecessora, que morreu há mais de um século e pode não ser a última da sua espécie. “Redescobri-la cria a esperança de recuperar uma espécie que se acreditava estar extinta”, disse um dos investigadores envolvido na descoberta, num e-mail envido ao El Pais.

O “Efeito Lázaro” também pode ocorrer em plantas. Em 1979, uma criança encontrou um exemplar de Ramosmania rodriguesi, uma flor branca também conhecida como café marrom, endémica da ilha Maurícia, no oceano Índico, dada como extinta em 1940. O problema é que, por ser um único exemplar, as flores não geraram sementes e a planta teve de ser transferida para o Jardim Botânico Real de Kew, no Reino Unido, para que fosse estudada uma forma que permitisse a sua reprodução e, mais tarde, a reintrodução na ilha de origem.

Clique aqui para ler a notícia da Visão de 30/08/2021.