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Funchal: Mulheres e Livros

6 documentários sobre 6 escritoras

“Desde o séc. XIX, o panorama artístico e literário regional teve uma presença cada vez mais notável e marcante por parte das mulheres. É no sentido de afirmar a igualdade de género e o modo de ser e de estar da mulher que surge este programa.”

A ACADÉMICA DA MADEIRA e ASSOCIAÇÃO TEATRO BOLO DO CACO apresentam os documentários FUNCHAL: MULHERES E LIVROS, uma homenagem ao património literário madeirense e às escritoras da cidade do Funchal, uma iniciativa com o alto patrocínio da Câmara Municipal do Funchal.

FUNCHAL: MULHERES E LIVROS é um conjunto de documentários composto por 6 vídeos. Partindo de 6 obras de 6 autoras madeirenses ou que passaram pela Madeira, se abordarão 6 vertentes literárias distintas.

Cada vídeo, gravado num local de interesse da cidade do Funchal, constituirá uma cena teatralizada por atores do TEATRO BOLO DO CACO, com o suporte técnico e produção audiovisual da ACADÉMICA DA MADEIRA.

O primeiro documentário será lançado no dia 18 de agosto, no canal do YouTube da Câmara Municipal do Funchal.

A LITERATURA E A MULHER FUNCHALENSE

Ao longo da história da Madeira, surgem-nos algumas mulheres que, desafiando a sociedade do seu tempo, de distinguiram em diferentes áreas: na política, na indústria, no comércio, na assistência social, nas artes, entre outras.

Na área da literatura, a acreditar na história que inspirou Anjos Teixeira a fazer o relevo de Baltazar Dias que se encontra no foyer do Teatro Municipal do Funchal, a primeira grande escritora madeirense terá sido a mulher daquele dramaturgo, mesmo incognitamente ajudava a Baltasar na sua produção, sendo assim sua co-autora. É, porém, com o século XIX, numa época em que começamos a encontrar cada vez mais escritoras pela Europa fora, que a Madeira abre ao gosto pela pena no feminino.

À rua da mouraria, o solar que acolhe o Centro Infantil Maria Eugénia de Canavial, foi a residência de algumas das mais importantes autoras da Madeira do século XIX, como a viscondessa das Nogueiras e as suas netas, as irmãs Sauvayre da Câmara, uma das quais Maria Celina (ou Celine, como assinava). A primeira como uma das mais consideradas pedagogas do seu tempo, a segunda como uma escritora como uma popular escritora de literatura de viagem, permitem-nos conhecer diferentes aspectos da sua época, sobretudo no que respeita à edução e à cultura da sociedade portuguesa.

Ainda em São Pedro, no Funchal, a quinta das Cruzes foi a casa da família de Luísa Susana Grande de Freitas Lomelino, a mordaz autora, que assinava os seus livros como Luzia e a quem foi dado o epíteto de Eça de Queirós de saias.

À semelhança da literatura queirosiana, a obra de Luzia é do mais puro realismo do início do século XX, não se poupando à crítica nem romanceado as fraquezas da sociedade da época. A sua obra Os que se divertem foi publicada pela ACADÉMICA, dando início à colecção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS.

Na segunda metade do século XX, a escrita no feminino deixa de ser apanágio da elite. Mulheres independentes, escritoras de profissão, e não de passatempo, tornaram-se cada vez mais comuns.

Três dos nomes que marcam o panorama literário actual são bons exemplos disso – Maria Aurora, Helena Marques e Marta Caires – cada qual combinando a atividade de escritora com a de jornalista.

Aurora Augusta Carvalho Homem, ou Maria Aurora como preferia ser conhecida, foi notável jornalista e poeta, madeirense por adoção. Como contista, soube chegar ao coração de adultos e de crianças com histórias maravilhosas para diferentes faixas etárias.

Helena Marques foi, como Luzia, madeirense de sangue, por descender de gentes da Ilha, embora não por nascimento. Nas diferentes vertentes literárias por si exploradas, mostrou ter no romance, sobretudo no romance histórico, uma superior qualidade narrativa.

Marta Caires, a par do jornalismo, é das escritoras que floresce nos tempos atuais, que nos enveredou pela vertente cronística.

FUNCHAL: MULHERES E LIVROS

Numa produção da Associação TEATRO BOLO DO CACO, com co-produção da ACADÉMICA DA MADEIRA e o alto patrocínio da Câmara Municipal do Funchal, esta iniciativa pretende divulgar a literatura portuguesa e a sua relação com a Madeira nos últimos 200 anos, algumas das mulheres escritoras do Funchal e, ainda, diferentes vertentes literárias.

O objetivo passa por criar no público a vontade de conhecer deste importante aspeto do património imaterial do Funchal.

Para cada uma das autoras escolhidas, foi realizado um vídeo de 5 minutos, explorando uma obra sua. No final, cada uma das 6 obras das 6 autoras irá refletir uma vertente literária.

Cada vídeo será uma cena dramatizada pelos jovens atores do TEATRO BOLO DO CACO, e que cada autora falará de uma das obras sua pré-escolhida. Como cenário para cada vídeo, surgirão diferentes locais do Funchal, levando ao diálogo da literatura com património edificado da cidade.

A iniciativa, uma criação de Xavier Miguel e de Luís Lobo Pimenta do TEATRO BOLO DO CACO revela, nalguns vídeos “uma abordagem mais poética aos espaços e ao próprio texto, com destaque para a visão subjectiva das autoras, outros procuram uma dinâmica mais teatral, ao encontro dos personagens que habitam os textos escritos”, como indicam os criadores.

A dramaturgia, a seleção e a adaptação de textos fica a cardo de Xavier Miguel, enquanto a realização e a direcção de actores de Luís Lobo Pimenta.

Integram o elenco as atrizes Cristiana Nunes, Sara Cíntia, Mariana Faria, Ester Vieira e Catarina Claro e os atores Ricardo Brito e Rui Miguel Vieira.

Na parte técnica, a gravação e a montagem são de Salvador Freitas da IMPRENSA ACADÉMICA, com a assistência de realização de João José Silva.

A coordenação de adereços e a direção de guarda-roupa são de Diogo Gonçalves e de Cristiana Nunes, respetivamente.

Associação TEATRO BOLO DO CACO

O TEATRO BOLO DO CACO estreou-se no final de 2011, com uma peça de Molière. A do ano seguinte, inicia uma rica atividade com recitais de poesia, animações de rua, sketches de teatro, lançamentos de livros, um policial num Hotel e uma residência artística no Caniçal.

Procede também é montagem de algumas peças, três das quais escritas, em auditório, da autoria de Jorge Ribeiro de Castro. Três outras peças foram a cena em espaços alternativos, como casas devolutas.

De igual forma, realizou duas casas assombradas por alturas do Halloween. As apresentações granjearam sempre a admiração do público.
Em agosto de 2018, o TEATRO BOLO DO CACO assume-se como uma associação.

Desde 2015, foca-se, fundamentalmente, em teatro e circo de rua e na animação temática, criando peças e atuações de teatro e novo circo, quer na rua, quer em espaços alternativos.

Em 2018, junta-se à Associação Casa Invisível para apresentar visitas encenadas a espaços culturais do Funchal.

Já em 2019, organiza o Festival de Teatro de Rua do Funchal.

Durante o ano passado, em parceria a Câmara Municipal do Funchal, o TEATRO BOLO DO CACO experimentou a vertente teatral da radionovela, dando voz à obra de João Augusto de Ornelas, A MÃO DE SANGUE, reeditado pela IMPRENSA ACADÉMICA, uma chancela editorial da ACADÉMICA DA MADEIRA, na coleção Ilustres (Des)conhecidos.

Em colaboração com a ACADÉMICA, esta radionovela foi posteriormente disponibilizada em formato podcast nas redes sociais.

O trabalho desenvolvido pelo Teatro Bolo do Caco, é diverso, mas tem sempre em consideração o património cultural e tradicional da Madeira, valorizando principalmente elementos da sua história e do seu folclore.

Crédito fotográfico: TBC.