Novo Tesla Model S foi cancelado
7 de Junho de 2021.
Animal congelado ressuscita
10 de Junho de 2021.
Mostrar Tudo

Tijolos feitos com beatas

Tijolos feitos de pontas de cigarro são o fruto de um projeto lançado há dois anos, tornando o setor um pouco mais sustentável

Há uma nova matéria-prima para fazer tijolos: as beatas dos cigarros fumados. O projeto do ISQ, desenvolvido desde 2019, é um dois em um da sustentabilidade: o tijolo com beatas na sua composição tem uma melhor eficiência energética e ajuda a resolver o problema das pontas de cigarro fumado. Agora, depois de todos os testes em laboratório, o e-tijolo está pronto para entrar no mercado.

Feitos os estudos laboratoriais, o Grupo ISQ chegou à conclusão de que os tijolos maciços (de barro vermelho) podiam levar 1% de beatas sem afetar a sua qualidade, para manter “todos os requisitos de um tijolo normal”, o que significa que vai ser usado como um tijolo “normal”, como nos explica Muriel Iten, responsável de I&D na área de baixo carbono, no ISQ. Avança também que já empresas interessadas em utilizar este tijolo nas suas construções.

Mureil Iten sublinhou as vantagens que este tijolo pode trazer, nomeadamente sobre como pode dar um novo destino às beatas e poupar energia no processo. “O projeto surgiu de uma necessidade. Nós temos aqui um resíduo que não tem fim, portanto os municípios não sabem o que fazer com ele, visto que a beata não pode ser incinerada nem ir para aterro. Uma forma de resolver isto é integrá-las no tijolo.”

No lado do produtor, na cerâmica, no subsetor do tijolo, também há vantagens. A principal será a energia poupada. “A beata em si tem propriedades térmicas muito benéficas que permitem poupar a nível do consumo energético na produção, ou seja, necessitamos de menos energia para produzir o tijolo. No fim do mês, no setor da cerâmica, 25% das despesas são com energia. Se soubermos que há um produto que vai consumir um bocadinho menos, vai ser importantíssimo para eles”, esclarece Muriel Iten.

Beatas de Guimarães

Neste projeto estão envolvidos a Câmara de Guimarães, o Grupo ISQ e (Laboratório da Paisagem) e o Centro de Valorização de Resíduos (CVR). E é de Guimarães que vêm as beatas necessárias para fabricar os tijolos, visto que na cidade existe uma iniciativa chamada EcoPontas, que recolhe as pontas de cigarros.

Ainda não há valores fixos para o custo do tijolo, mas em princípio será mais barato de produzir porque aquele 1% de beatas significa que é utilizada menos 1% de argila, e as beatas são fornecidas a custo zero pelo município de Guimarães.

Este e-tijolo insere-se num projeto nacional o Portugal2020, que ocorreu entre 2018-2019. No consórcio participaram várias entidades portuguesas, como a Universidade de Aveiro, Sanjotec, ISQ, Universidade do Minho. Este projeto, que já terminou, tinha como objetivo promover a competitividade das empresas do Norte, financiando ideias inovadoras, de cariz empresarial ou individual.

Clique aqui para ler a notícia da Visão de 04/06/2021.