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Viva a Geração Y!

A geração Y caracteriza-se por ser uma forte defensora dos direitos humanos—nomeadamente na promoção da liberdade religiosa, da não discriminação com base na orientação sexual, da igualdade racial e de género—, por ser activista pelo clima e por possuir uma grande formação académica.

Se o leitor possui uma idade entre os 25 e os 40 anos, então enquadra-se na geração denominada por “Geração Y”, também conhecida por “millennials”. Esta geração é marcada pela globalização, por ter experienciado significativos avanços tecnológicos (por exemplo, a “internet”) e vivenciado marcos históricos (como é o caso da queda do Muro de Berlim). Numa escala inédita, testemunhou (e está a testemunhar) desastres ambientais, actos terroristas e crises económicas e sociais.

Esses últimos eventos levaram a que a geração Y se caracterize por ser uma forte defensora dos direitos humanos—nomeadamente na promoção da liberdade religiosa, da não discriminação com base na orientação sexual, da igualdade racial e de género—, por ser activista pelo clima e por possuir uma grande formação académica. Apesar de tudo isto, esta geração enfrenta actualmente diversos problemas, entre eles, a inserção na vida laboral e, consequentemente, a independência financeira.

O mercado de trabalho é, neste momento, ocupado simultaneamente por quatro gerações. Duas anteriores à geração Y (geração “Baby Boomers” e X) e uma posterior (geração Z). Ora, os elementos destas duas gerações mais antigas são, na sua generalidade, mais conservadores e tendem a olhar para a ambição pelo sucesso, a flexibilidade e a capacidade multi-tarefa dos “millennials” com grande cepticismo. Interpretam esses traços como indícios de falta de foco, de imaturidade e, até mesmo, de arrogância. Este clima leva a que muitas vezes se retire a liberdade ou a capacidade de agir dos “millennials”, remetendo-os para a insegurança, falta de motivação e para o constante medo de falhar.

Considero que a fragilidade dos “millennials” representa outra barreira na inserção na vida laboral, principalmente devido à falta de blindagem que os mesmos têm contra as adversidades, pouca capacidade de lidar com pressões e à constante necessidade de respostas e de resultados rápidos. Não nos podemos esquecer, contudo, que a instabilidade e a precariedade do mercado de trabalho, com falta de perspectivas de progressão na carreira, é outro conjunto de problemas que assombra a geração Y (e, obviamente, as subsequentes).

Consequentemente, quando comparado com as gerações mais antigas, os “millennials” têm uma dificuldade maior em obter independência financeira. Num estudo recente sobre “millennials” (MultiDados e CH Business Consulting, 2017), concluiu-se que cerca de 60 % dos inquiridos portugueses não se considera financeiramente independente, apesar de 90 % indicar que costuma poupar.

Dessa forma, muitos dos “millennials” encontraram a sua independência económica tornando-se empreendedores—outra qualidade da geração Y. Criam, pois, empresas para dar resposta a um problema, recorrendo, na maior parte das vezes, às tecnologias de informação. Veja-se o caso da Whitney Wolfe Herd, que criou uma aplicação de encontros com uma receita anual de 240 milhões de dólares, ou de Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.

Entendo, apesar disso, que é fundamental que as empresas implementem novas práticas e até mesmo novos e inovadores funcionamentos internos de forma a captar, a reter e a ouvir os “millennials”.

É com orgulho que estou incluído nos 20 % da população portuguesa pertencente à geração Y (PORDATA, 2019), ou dos 25 % se considerarmos a total da população mundial [OCDE, 2019]). Pela sua força, garra e ambição, viva a geração Y!

Diogo Freitas
Estudante de Doutoramento na UMa.

Publicado no DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA, no âmbito da parceria com a ACADÉMICA DA MADEIRA.