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Inovação no Ensino Superior

A primeira Universidade portuguesa, e uma das 20 mais antigas do Mundo, foi o Estudo Geral (ou Studium General), instituído em 1290, e que anos mais tarde viria a tomar a designação actual de Universidade de Coimbra. Somam-se 731 anos de Ensino Superior Nacional. Mais de 7 séculos em que os métodos de aprendizagem neste sistema de ensino pouco mudaram. Arrisco a dizer que é o nível de ensino que menos inovou nos últimos anos.

É verdade que temos assistido a grandes mudanças na sociedade ao longo das últimas décadas. O Ensino Superior também sofreu alterações muito devido ao Processo de Bolonha, trazendo maior interesse na frequência do ensino superior e um aumento da população com formação superior. Contudo, tem-se verificado uma estagnação dos modelos pedagógicos aplicados nas Instituições de Ensino Superior (IES). Não pensemos que o problema da falta de inovação no ensino superior surgiu com a pandemia, porque além do movimento estudantil já ter manifestado a necessidade de remodelar os métodos pedagógicos antes da mesma surgir, curiosamente, em ambos os volumes dos 31 DESAFIOS PARA O ENSINO SUPERIOR, editados pela IMPRENSA ACADÉMICA, uma chancela editorial da Académica da Madeira, é mencionado, em diferentes ensaios, a temática da pedagogia na universidade.

A transição repentina do ensino presencial para o ensino remoto nas IES evidenciou os desafios associados à pedagogia e à digitalização deste sistema de ensino e de aprendizagem. A pandemia abriu oportunidade para se reformar os métodos de ensino nas universidades e na aprendizagem dos seus estudantes.

Actualmente, grande parte das aulas ocorre de forma unidirecional, ou seja, são sobretudo expositivas, muitas vezes não aprofundando nem colocando em prática: demonstrando, testando, comprovando, ou debatendo a matéria em estudo, envolvendo os estudantes no processo construtivo do seu conhecimento. É necessário exigir novas competências aos nossos estudantes como mais criatividade, mais espírito crítico, mais colaboração, mais pesquisa e mais análise de informações.

O estudante deve, também, possuir modalidades de avaliação mais diversas e mais próximas da realidade na sua área de formação. As avaliações têm de ser contínuas, em detrimento do tradicional método de avaliação, constituído por um ou dois momentos por unidade curricular.

A transformação digital é fundamental para todo o processo de aprendizagem. Um modelo híbrido não está tão longe quanto possamos pensar e poderá possibilitar uma melhoria no processo de construção e de transmissão do conhecimento, bem como a optimização do tempo investido pelos estudantes e docentes. A reforma dos métodos de ensino deve, além do mais, incidir na carga horária. Portugal possui uma média de 21 horas semanais empregues em contexto de sala de aula, sendo este um dos valores mais elevados, comparativamente aos restantes países da União Europeia, cuja média é de 17 horas. Este panorama leva ao inevitável desgaste do estudante e potencia situações de esgotamento, tanto ao nível físico como ao nível psicológico. Deverá, então, existir uma diminuição da carga horária em sala de aula, investindo na autonomização do estudo, possibilitando uma maior retenção de conhecimentos e, consequentemente, numa maior participação em actividades extracurriculares.

Os docentes têm um papel crucial para que as alterações na área da inovação pedagógica sejam um sucesso. Porém, no Ensino Superior, um professor é sobretudo um investigador de uma área específica, a quem cabe passar conhecimentos aos estudantes, sem que tenha qualquer formação em Educação. É necessário, por tal, que as IES invistam e promovam a didáctica no seu corpo docente, incentivando, agora, a utilização de novas tecnologias.

Sintetizando, um ensino e uma investigação de qualidade começam por uma aprendizagem de excelência.

Alex Faria
Presidente da Direcção da Académica da Madeira
Clique aqui para ler o artigo de opinião no JM de 03/06/2021.