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A MÃO DE SANGUE em Podcast

“Tais são os traços essenciais deste romance cuja dramatização daria margem a muitos volumes.”

Camilo Castelo Branco,

em A MÃO DE SANGUE, publicada pela IMPRENSA ACADÉMICA.

Depois da sua transmissão por rádio, a radionovela A MÃO DE SANGUE, numa produção do Teatro Bolo do Caco, chega ao formato Podcast a todo o público nas plataformas Spotify e Apple Podcast.

Baseada no romance do escritor madeirense João Augusto de Ornelas, esta obra-prima do património literário do arquipélago poderá ser escutada, vivida e sentida pelos amantes de rádio em geral e de teatro radiofónico em particular.

A reedição da obra magistral de João Augusto de Ornelas, A MÃO DE SANGUE, pela IMPRENSA ACADÉMICA, permitiu ao Teatro Bolo do Caco a adaptação da obra a radionovela.

Radionovela A MÃO DE SANGUE pelo Teatro Bolo do Caco

Numa época ingrata à cultura e à realização de espetáculos, o Teatro Bolo do Caco transformou a sua arte de forma que, “mantendo o devido distanciamento social, continuar a chegar a todas as pessoas, explorando a cultura e a tradição, através da representação”.

Em nove episódios em formato áudio, com uma duração de entre 12 e 15 minutos, a radionovela A MÃO DE SANGUE está disponível agora ao ouvinte, para que a escute em qualquer local, em qualquer momento, em qualquer circunstância.

Por detrás deste trabalho encontramos as vozes dos atores Eduardo Luiz, Luís Pimenta, Xavier Miguel, Hélder Agrela, Cristiana Nunes, Diogo Gonçalves, Pedro Monteiro, Guilherme Mendonça, Mariana Faria, Paulo Renato, Marco Góis, Sara Cíntia e Catarina Claro.

A direção de atores ficou a cargo de Eduardo Luiz, a montagem e a edição foram de Miguel Guarda, e a produção e a adaptação do romance de João Augusto de Ornelas ao formato dramático tiveram a assinatura de Xavier Miguel.

A iniciativa do Teatro Bolo do Caco, em parceria com a Câmara Municipal do Funchal, contou com o apoio do JM e da rádio 88.8 JM-FM.

Esta iniciativa envolveu ainda o Museu de Fotografia da Madeira Atelier Vicente’s, que contribuiu com as imagens antigas do Funchal que serviram de ilustração a cada episódio, bem como da Académica da Madeira que, através da Imprensa Académica, reeditou, recentemente o romance A MÃO DE SANGUE de João Augusto de Ornelas, na coleção Ilustres (Des)conhecidos.

O romance A MÃO DE SANGUE de João Augusto de Ornelas

A MÃO DE SANGUE é uma obra do escritor câmara-lobense João Augusto de Ornelas (1833-1886). A sua primeira edição, data de 1847, contou com uma nota, em prefácio, de Camilo Castelo Branco, que elogiava o autor e o romance. Resgatada de um certo esquecimento, esta novela oitocentista madeirense foi republicada, em 2019, na coleção Ilustres (Des)conhecidos, pela IMPRENSA ACADÉMICA, sob a coordenação da investigadora Leonor Martins Coelho.

Sobre João Augusto de Ornelas

A MÃO DE SANGUE é uma história de ódio e de amor, de crime e de castigo, de perdição e de redenção. Trata-se de uma obra que João Augusto de Ornelas explica basear-se numa história verídica, ocorrida no Funchal, em pleno século XVII.

Já Camilo Castelo Branco, no prefácio que fez à edição original de A MÃO DE SANGUE, dizia de João Augusto de Ornelas ser “já muito conhecido e considerado entre os bons escritores portugueses”. Ao ver o escritor madeirense dar-lhe a honra de prefaciar o romance, Camilo veemente termina a sua nota, intitulada «Impressões da leitura de A Mão de Sangue», com: “aceito-a com satisfação de ser o primeiro a apreciar-lho”.

Numa sala oculta de solar da rua da Carreira, no Funchal, em pleno século XVII, uma parteira é coagida a ajudar uma mulher a dar à luz. O recém-nascido é retirado dos braços da mãe e entregue à mulher que é levada da casa com ameaças de que se contar o que se passou a alguém irá ser morta. A parteira não sabe em que casa se deram os acontecimentos, mas à saída do solar, tocou com a mão suja na entrada do edifício, marcando o funesto lugar com uma mão de sangue.

A partir deste ponto desenrola-se a história várias personagens, numa ação que parte do Funchal até ao Rio de Janeiro, ainda parte da colónia portuguesa do Brasil, seguindo por várias cidades europeias: Londres, Paris, Madrid, Porto.

O cenário onde começa a ação provavelmente estaria ligado com a própria experiência de João Augusto de Ornelas como é referido pelo escrito José Viale Moutinho, em A ILHA DAS QUATRO ESTAÇÕES (2021), ao questionar-se “Na Rua da Carrei­ra, aquela casa onde ele próprio vivia seria o fidalgo solar à Rua da Carreira, de A Mão de Sangue?

O leitor a partir desse ponto, seguir as vidas dos irmãos Júlio, Fernando e Josefina, filhos do capitão-mor Luís de O. (cujo verdadeiro apelido o autor não quis desvendar), senhor de grande fortuna e de “sangue de primeira nobreza – de sangue azul”.

A escrita do autor apresenta um teor pedagógico e moralizador, como era apanágio nos romances (ultra)românticos oitocentistas, abrindo-se assim à modernidade”, como refere Leonor Martins Coelho, a coordenadora da reedição d’A MÃO DE SANGUE feita, em novembro de 2019, pela IMPRENSA ACADÉMICA.

Ao longo das páginas, a ação e a descrição são pontuadas de apreciações críticas do autor, não havendo margem de dúvida na classificação das personagens como pessoas de bem ou não. Homicídio, roubo, violência, escravatura, mentira, sofrimento, abandono. Várias variáveis mexem com sentimentos leitor, contrabalançados por histórias de amor e de compaixão.

Ornelas, que no seu tempo de vida integrou instituições de assistência social, não deixa o leitor passar ao lado da miséria das classes desfavorecidas, nas suas descrições. Apesar dos cenários de palácios, de jardins e outros igualmente aprazíveis, há uma grande preocupação do autor em mostrar onde e as condições em que viviam os mais humildes, no século XVII, sobretudo no Funchal. Talvez, por essa razão, escolheu dedicar o romance ao conselheiro José Silvestre Ribeiro (1807-1891), um dos mais ativos e, talvez mesmo, o mais reconhecido dos governadores civis do Distrito do Funchal. No reconhecimento ao Conselheiro, a quem trata por Douto Amigo, Ornelas escreve “este livro como testemunho de admiração pelo seu talento, e pelo preito aos importantes serviços que […] prestou à minha terra natal.”

É de notar que, das obras do Conselheiro Silvestre Ribeiro, que ainda nomeia uma movimentada rua do Funchal, encontra-se a criação do Asilo da Mendicidade do Funchal, a cuja comissão administrativa pertenceu o próprio João Augusto de Ornelas.

Sobre o grupo de Teatro Bolo do Caco

O Teatro Bolo do Caco estreou-se no final de 2011, com uma peça de Molière. A do ano seguinte, inicia uma rica atividade com recitais de poesia, animações de rua, sketches de teatro, lançamentos de livros, um policial num Hotel e uma residência artística no Caniçal.

Procede também é montagem de algumas peças, três das quais escritas, em auditório, da autoria de Jorge Ribeiro de Castro. Três outras peças foram a cena em espaços alternativos, como casas devolutas. De igual forma, realizou duas casas assombradas por alturas do Halloween. As apresentações granjearam sempre a admiração do público.

Em agosto de 2018, o Teatro Bolo do Caco assume-se como uma associação.

Desde 2015, foca-se, fundamentalmente, em teatro e circo de rua e na animação temática, criando peças e atuações de teatro e novo circo, quer na rua, quer em espaços alternativos.

Em 2018, junta-se à Associação Casa Invisível para apresentar visitas encenadas a espaços culturais do Funchal.

Já em 2019, organiza o Festival de Teatro de Rua do Funchal.

O trabalho desenvolvido pelo Teatro Bolo do Caco, é diverso, mas tem sempre em consideração o património cultural e tradicional da Madeira, valorizando principalmente elementos da sua história e do seu folclore.

Sobre a IMPRENSA ACADÉMICA

A primeira imprensa universitária nasceu em Coimbra, no séc. XVI, durante o reinado de D. João III. A IMPRENSA ACADÉMICA é uma editora universitária criada, em 2014, pela Associação Académica da Universidade da Madeira, que é a sua proprietária e gestora.

Premiada, em 2019, com o galardão Boas Práticas do Associativismo Estudantil pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, a equipa editorial da IMPRENSA ACADÉMICA é composta por estudantes e por antigos estudantes da Universidade da Madeira (UMa). Profissionais, titulares do grau de licenciado ou do grau de mestre, dão formação e trabalham em conjunto com vários estudantes, investigadores e docentes.

A atividade da IMPRENSA ACADÉMICA nasce do trabalho de um corpo de voluntários que integra todo o processo editorial, de comunicação e comercial, de forma a permitir a consciencialização do público sobre a importância da leitura enquanto competência fundamental para potencializar conhecimento e inclusão.

Criar leitores constitui o principal desafio assumido pela equipa de voluntários que promove conhecimento e, simultaneamente, o adquire. Cientes de que criar leitores é uma tarefa árdua, acreditamos que é fulcral para perpetuar um percurso escolar e académico de sucesso dos nossos jovens, para a criação de massa crítica e para a existência de uma sociedade aberta e inclusiva.

Este projeto assume uma forte investigação na área cultural e educacional, através da publicação de obras desenvolvidas por autores madeirenses e, concomitantemente, integrar estudantes e antigos estudantes nos vários processos inerentes à publicação de uma obra, como a seleção de conteúdos, a transcrição, a adaptação de textos, a idealização, a revisão ou a promoção, possibilitando a aquisição de experiência e competências úteis para a sua integração futura no mercado de trabalho.