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A MENINA DO ANEL INVISÍVEL

“Queremos todo o povo a rezar por esta causa”, sentimos que as gerações mais novas, na sua maioria, nunca ouviram falar desta Religiosa que, ainda hoje, se mantém “viva” entre nós, sempre pronta a interceder junto do Imaculado Coração de Maria por cada um de nós.

Conceição Freitas

Esta é a incrível vida de Madre Virgínia, uma mulher que ajudou a mudar a história da Madeira e do Mundo, contada aos mais pequenos.

A apresentação será feita na Igreja do Colégio, no dia 21 de maio, pelas 18:00 horas e contará com a presença de D. Nuno, Bispo do Funchal.

VIRGÍNIA, A MENINA DO ANEL INVISÍVEL de Conceição Freitas

Era uma vez uma menina a quem chamavam Virgininha, que vivia das serras de Santo António, sobranceiras à cidade do Funchal. Enquanto ela brincava e estudava, mal podia adivinhar que um dia iria encontrar um Amigo muito especial que a ajudaria a enfrentar uma vida cheia de desafios.

Assim se resumiria a obra infantojuvenil de Conceição Freitas que apresenta a vida e a obra de Madre Virgínia.

Madre Virgínia Brites da Paixão é uma das mais importantes mulheres da história da Madeira, bem como uma figura notável para católicos de todo o mundo. Madre Virgínia foi uma religiosa da Ordem de Santa Clara que, no período turbulento dos finais da Monarquia e durante a Primeira República se tornou um farol de fé para milhares de católicos. As suas experiências místicas que teve e os milagres que lhe são atribuídos, fizeram com que em 2006, o Bispo D. Teodoro de Faria, abrisse um processo de beatificação e canonização para Madre Virgínia Brites da Paixão.

A herança de Madre Virgínia manifesta-se no contributo que deu para a veneração do Imaculado Coração de Maria e ao restabelecimento da Ordem de Santa Clara em Câmara de Lobos e no Funchal, na casa onde viveu nos seus últimos anos.

A história de vida de Madre Virgínia é agora apresentada aos mais pequenos por Conceição Freitas, Técnica Superior de Educação aposentada e Presidente da Direção da Associação Madre Virgínia em união com o Imaculado Coração de Maria.

A narrativa, contada em linguagem simples e acessível, foi ilustrada por Sofia Reis, cujo trabalho continua a maravilhar crianças e jovens.

A apresentação da obra terá lugar na Igreja do Colégio, cujo orago, São João Evangelista, foi escolhido por Madre Virgínia Brites da Paixão como seu santo protetor, aos 12 anos de idade. A sessão decorrerá no dia 21 de maio, pelas 18:00 e contará com a presença de D. Nuno, Bispo do Funchal.

Sobre Madre Virgínia

Madre Virgínia Brites da Paixão foi uma das religiosas de maior relevância na história da Madeira e uma das figuras que mais contribuiu para a veneração do Imaculado Coração de Maria, em todo o mundo católico.

Nascida no Lombo dos Aguiares, em Santo António, no Funchal, a 24 de outubro de 1860, Virgínia da Silva pertencia a uma família humilde e foi a mais jovem de nove irmãos.
Aquando da sua Primeira Comunhão, terá tido a primeira experiência mística, ao contemplar o Sagrado Coração de Jesus, episódio que a marcou profundamente. Nesse momento teria decidido dedicar a vida a Deus.

Com 16 anos, entrou para o Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, no Funchal, onde viviam, em clausura, religiosas da primeira regra de Santa Clara. No mosteiro, deixaria o nome Virgínia da Silva para tomar o de Irmã Virgínia Brites da Paixão, inspirada no nome de Madre Brites da Paixão, uma religiosa do Mosteiro das Mercês, a quem se atribuíam milagres e que falecera, naquele claustro, em 1732.

Aos 23 anos, a Irmã Virgínia tomou os votos solenes na Ordem de Santa Clara. Anos depois seria eleita abadessa do Mosteiro das Mercês do Funchal, na verdade, a última nesse cargo.

Foi com a Implantação da República, que o Mosteiro das Mercês, à semelhança de outros portugueses, teve a sua extinção efetiva. Na noite de 13 de outubro de 1910, as irmãs clarissas, lideradas por Madre Virgínia, foram levadas num carro fechado ao Palácio de São Lourenço, onde aguardaram por familiares que as levassem para casa. O Mosteiro das Mercês foi despojado, passando alguns dos seus livros, alfaias e peças de arte sacra para o edifício do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição (Mosteiro de Santa Clara) e para a Igreja Matriz de São Pedro. Hoje, alguns podem ser apreciados no Museu de Arte Sacra do Funchal. O Mosteiro das Mercês, já parcialmente em ruínas, seria demolido em 1915.

Entretanto, Madre Virgínia, que voltara à casa dos pais, no Lombo dos Aguiares, continuou a sua missão, vivendo como religiosa. Manteve contato com as outras irmãs clarissas, que nunca deixaram o hábito religioso. Começou também a desenvolver grupos de oração na veneração do Imaculado Coração de Maria.

À semelhança da religiosa cujo nome adotou, Madre Virgínia Brites da Paixão ganhou, ainda em vida, fama de obrar milagres em muitos dos que a visitavam.

Faleceu em 1929, não chegando a assistir, em 1931, à fundação do Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade, no sítio da Caldeira, em Câmara de Lobos, herdeiro do velho Mosteiro das Mercês do Funchal. Desta comunidade, formar-se-ia, canonicamente, em 1975, o Mosteiro de Santo António, ao Lombo dos Aguiares, na casa onde Madre Virgínia viveu nos seus últimos anos. Falecida em odor de santidade, D. Teodoro de Faria, enquanto Bispo do Funchal, ordenou a instrução do seu processo de beatificação e canonização, em 2006. Em 2011, forma-se o grupo de oração pela beatificação de Madre Virgínia Brites da Paixão, de que, em 2020, daria origem à associação que apoia a investigação da vida mística desta religiosa e acompanha do seu processo em desenvolvimento.

Além de Madre Virgínia, há outras quatro personalidades cuja canonização está em desenvolvimento, em processos instruídos pela Diocese do Funchal: Frei Pedro da Guarda (?-1505), Irmã Mary Jane Wilson (1840-1916), Beato Carlos de Áustria (1887-1922) e Irmã Maria do Monte Pereira (1897-1963).

Mensagem da Autora: Como nasceu o livrinho

Desde a morte da Madre Virgínia Brites da Paixão, em 1929, até hoje, decorreram 92 anos.

A geração contemporânea da Madre Virgínia Brites da Paixão, até meados do século XX, viveu intensamente a morte desta religiosa que, embora tivesse querido viver ignorada ou até mesmo desconhecida, morreu com fama de santidade, conhecida e aclamada pelo povo, de “santa freirinha do Lombo dos Aguiares” e de quem, em 2006, o Bispo D. Teodoro de Faria abrira um Processo de beatificação e canonização, na nossa Diocese.

Ao percorrermos as Paróquias da Ilha da Madeira, para reacender no coração de todo o povo a “chama da intercessão pela sua beatificação” com a mensagem: “Queremos todo o povo a rezar por esta causa”, sentimos que as gerações mais novas, na sua maioria, nunca ouviram falar desta Religiosa que, ainda hoje, se mantém “viva” entre nós, sempre pronta a interceder junto do Imaculado Coração de Maria por cada um de nós.
Por esta razão, o então denominado “Grupo de oração pela beatificação da Madre Virgínia” organizou uma série de iniciativas para dá-la a conhecer e para que todos pudessem contribuir com orações e donativos para a referida causa.

Agora, o Grupo de oração transformado em Associação pretende homenageá-la com a construção de um monumento.

O Livrinho para crianças intitulado “Virgínia, a Menina do anel invisível”, corresponde a uma iniciativa da “Associação Madre Virgínia em união com o Imaculado Coração de Maria” que, em situação de “confinamento” e coibida de percorrer as Paróquias com a exposição itinerante, resolveu apontar o dedo para mim, no sentido de que devia pôr por escrito, tudo o que contara às crianças aquando da exposição itinerante, que já percorreu algumas Paróquias, intitulada “Madre Virgínia, um caminho para Deus” e que prendia tanto a atenção dos meninos da catequese.

Senti que era meu dever, uma obrigação, dizer, sobretudo às crianças, que a Madre Virgínia, desde criança como elas, tinha escolhido amigos no Céu a quem pedia proteção e que tinha um amigo secreto que quer ser amigo secreto de todas as pessoas, sobretudo das crianças e para a vida toda, e falar-lhes da Alegria de quem como ela LHE dá o seu coração.

Assim começa a História.

Sobre a Autora

Maria da Conceição Correia de Freitas nasceu na Ponta do Sol (ilha da Madeira), em 1945, e é Técnica Superior de Educação aposentada.
A par da docência, dedicou-se à formação e à avaliação de professores, primeiro na Escola do Magistério Primário do Funchal e, posteriormente, em cooperações com a Secretaria Regional de Educação da Madeira e com o Centro de Formação de Professores da Universidade da Madeira.

Pelo seu trabalho, recebeu um Louvor pela Dedicação, Zelo e Brio Profissional por parte da Direção Regional de Ensino, em 1993.

Em 1998, concluiu a Licenciatura em Ciências Religiosas pela Universidade Católica Portuguesa – Madeira, chegando a frequentar o Mestrado em Religião e Cultura da mesma Universidade, no pólo de Lisboa.

Em 2011, formou o Grupo de Oração pela beatificação de Madre Virgínia Brites da Paixão e, desde 2020, preside à Direção da Associação Madre Virgínia em união com o Imaculado Coração de Maria.

Sobre a Ilustradora

Sofia Reis nasceu no Funchal, em 1995, e é licenciada em Artes Visuais pela Universidade da Madeira.

Participou em várias fazines e livros internacionais relacionados com música e é autora de ilustrações de diversos livros infantis.

Exemplos de ilustrações suas podem ser encontradas no Instagram@imbelling ou na página de Facebook ‘Sofia Reis Arts’.

Sobre a IMPRENSA ACADÉMICA

A primeira imprensa universitária nasceu em Coimbra, no séc. XVI, durante o reinado de D. João III. A Imprensa Académica é uma editora universitária criada, em 2014, pela Associação Académica da Universidade da Madeira, que é a sua proprietária e gestora.

Premiada, em 2019, com o galardão Boas Práticas do Associativismo Estudantil pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, a equipa editorial da Imprensa Académica é composta por estudantes e por antigos estudantes da Universidade da Madeira (UMa). Profissionais, titulares do grau de licenciado ou do grau de mestre, dão formação e trabalham em conjunto com vários estudantes, investigadores e docentes.

A atividade da Imprensa Académica nasce do trabalho de um corpo de voluntários que integra todo o processo editorial, de comunicação e comercial, de forma a permitir a consciencialização do público sobre a importância da leitura enquanto competência fundamental para potencializar conhecimento e inclusão.

Criar leitores constitui o principal desafio assumido pela equipa de voluntários que promove conhecimento e, simultaneamente, o adquire. Cientes de que criar leitores é uma tarefa árdua, acreditamos que é fulcral para perpetuar um percurso escolar e académico de sucesso dos nossos jovens, para a criação de massa crítica e para a existência de uma sociedade aberta e inclusiva.

Este projeto assume uma forte investigação na área cultural e educacional, através da publicação de obras desenvolvidas por autores madeirenses e, concomitantemente, integrar estudantes e antigos estudantes nos vários processos inerentes à publicação de uma obra, como a seleção de conteúdos, a transcrição, a adaptação de textos, a idealização, a revisão ou a promoção, possibilitando a aquisição de experiência e competências úteis para a sua integração futura no mercado de trabalho.