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A investigação merece mais

É impossível negarmos que a pandemia trouxe um maior destaque à investigação, quer ao nível nacional, quer internacional. Apesar da nossa sociedade reconhecer um pouco mais a importância que a ciência e a tecnologia têm no nosso quotidiano e no nosso futuro, Portugal continua a não valorizar nem investir nestas áreas como deveria.

Em 2019, o investimento em actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) foi de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isto significa que, além de ser inferior ao da média europeia (2,19%), continuamos já há uma década abaixo dos 1,58% do PIB, valor referente a 2009. Numa perspectiva europeia, em dez anos o investimento na I&D, em percentagem da riqueza nacional, aumentou em 19 Estados-membros; manteve-se noutros 2; e diminuiu nos restantes 6. Um desses 6 países “surpreendente” é Portugal!

A investigação em Portugal tem qualidade, não duvidemos disso. Um exemplo bem recente do nosso talento foi o desenvolvimento de uma vacina intranasal portuguesa contra o novo coronavírus, pela Immunethep, uma empresa laboratorial nascida da Universidade do Porto. Os ensaios pré-clínicos em animais inoculados com esta vacina têm obtido resultados bem promissores e perspetiva-se iniciar testes em humanos em Julho, para que, no próximo ano, chegue ao mercado.

Mas não é preciso irmos muito longe para encontrarmos quem também tenha contribuído de forma notável. O Centro de Química da Madeira (CQM) que é incorporado na Universidade da Madeira, recebeu a classificação de ‘Excelente’ referente ao período de 2013-2017. Nesse quadriénio, foram publicados 162 artigos científicos e mantendo a sua máquina a todo o vapor, os investigadores do CQM atingiram a marca dos 172 artigos entre 2018 e 2020, com diversas publicações científicas de renome, deixando uma importante pegada no panorama científico internacional.

A evolução deste centro de investigação é de facto admirável, sendo composto, actualmente, por uma equipa de 65 investigadores, entre professores e outros doutorados, estudantes de doutoramento e de mestrado e demais bolseiros de investigação.

É precisamente quando falamos dos bolseiros de investigação que lembramos que os problemas nesta área ainda não terminaram. O ministro da tutela, só há poucos dias, assegurou a prorrogação das bolsas de investigação. Contudo, esta prorrogação não resolve a precariedade a que se assiste neste sector. Já desde antes da pandemia, que os bolseiros não beneficiam de uma protecção social adequada, não contribuem para a segurança social, não têm acesso a mecanismos de apoio nem de protecção de emprego. Pouco ou nada mudou, desde então!

Não se pode esquecer de todos os estudantes de mestrado ou de doutoramento, que também viram os seus trabalhos científicos e de investigação afectados pela pandemia há mais de um ano. Estes, que necessitam de defender as suas teses ou dissertações para passarem à fase seguinte dos seus projectos de vida, devem ver prorrogadas, atempadamente, a data de entrega das provas de conclusão de ciclos de estudos conducentes aos graus de mestre ou doutor, de modo a evitar o mesmo desaire do de 2019-2020. É imoral condicionar a vida de milhares de pessoas, havendo alternativa.

A área da investigação tem de ser uma aposta não residual, mas contínua. Até porque a grande maioria dos projectos leva vários anos de investigação. Deve, nesse âmbito, coordenar-se com o Ensino Superior, uma vez que as Universidades são os locais privilegiados de dois grandes motores de desenvolvimento social: a formação e a investigação.

Aquele já emigrou e mais emigrarão…
Oh Portugal não te atrases e apoia a investigação!

Alex Faria
Presidente da Direcção da Académica da Madeira
Clique aqui para ler o artigo de opinião no JM de 06/05/2021.