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Falar de Ciência

A descoberta de um restaurante de rua milenar nas ruínas de Pompeia. A chegada da Perseverança à superfície de Marte. A vacina para ajudar no combate à COVID-19. O que tudo isto tem em comum? São algumas das descobertas e dos avanços científicos mais marcantes do último ano.

Apesar da Ciência ser algo que todos os dias influencia as nossas vidas com um papel indiscutivelmente positivo, ainda existe um estigma de falar de Ciência. Num passado não muito distante, quem falasse de vacinas, da diferença entre vírus e bactérias ou de curvas exponenciais, entre outros assuntos, por mais interessantes ou relevantes que fossem, recebia de volta um revirar de olhos e (como diz a música dos doismileoito) um “deixa-me em paz”. Hoje, devido à crise pandémica que atravessamos, estes temas encontram-se na ribalta e todos os tentam entender e discutir, da melhor forma. Os cientistas e investigadores, por sua vez, ganharam finalmente um papel mais activo na discussão pública e mereceram a atenção e o reconhecimento pelo seu trabalho fundamental, por parte do público e dos seus familiares e amigos.

Agora, existe realmente um interesse em ouvir quem sabe explicar o que se passa no mundo. Por isso, acredito que discutir Ciência numa conversa de café ou ao jantar deveria ser algo tão interessante e normal como falar de política, do jogo de futebol ou do mais recente reality-show. Às crianças, deveria ser fomentada a curiosidade e a liberdade em ver, tocar, experimentar, pensar, perguntar, negar e procurar respostas às perguntas que se levantam no dia-a-dia. Traçando uma relação de amizade com a Ciência, seremos capazes de crescer de forma mais feliz, com um maior entendido do mundo que nos rodeia e de fazer escolhas mais acertadas. Falar das alterações climáticas, dos microplásticos, da reciclagem (que incrivelmente ainda não é algo generalizado, nem bem visto por todos), da conservação das espécies é falar de Ciência. Se a Ciência for vista como algo aborrecido e complicado, deve ser “trocada por miúdos” e tornada empolgante para que todos a entendam. Por sua vez, quem receber este conhecimento terá o dever de o repassar e agir conscientemente consoante o que aprendeu. Acredito que quando isso acontecer, estaremos num bom caminho para vivermos numa sociedade mais capaz, mais consciente, mais sustentável e mais eficiente.

Gonçalo Nuno Martins

Clique aqui para ler o artigo do Diário de Notícias de 22/04/2021.