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As palavras que têm de ser ditas

As palavras que têm de ser ditas, no Dia do Estudante

Caros Ministros da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,

Num ano caracterizado pela incerteza, é admirável como na educação tudo está como d’antes. Qual a razão que vos leva a pressionar os professores com metas para cumprir e os alunos com exames que tudo vão decidir?

Que incongruência.

É altura de refletir sobre o que é importante. Olhar o aluno como um ser único. As suas competências não podem, simplesmente, ser avaliadas através de quatro alíneas ou por uma resposta memorizada. Há que mudar, há que ser dinâmico, numa altura em que nada é como no século passado, exceto a educação.
Por isso, deixo-vos aqui o meu apelo, pois sois os responsáveis. Façam mudanças significativas! Ousem criar a escola que a sociedade vos exige.

Caro professor,

Sei que estes momentos são esgotantes, que passa o seu dia à frente de um computador. Que a carga burocrática pesa cada vez mais. Contudo, os alunos não precisam de um “debitador” de matérias. Eles precisam, sim, de um modelo, de um mentor, de alguém que os inspire e desafie.

Não se esqueça… A sua paixão e dedicação transparecem, até mesmo num ecrã.

Não deixe que os alunos lhe escapem entre as mãos. Não permita que estes se transformem em máquinas de memória que tudo apagam passados uns dias. Liberte-se desse dogma anacrónico que define como as aulas devem ser “ministradas”.

Seja irreverente e deixe a sua marca.
Por favor.

E por último, caro estudante,

Tu que estás a crescer e em constante formação, mas que, ultimamente, tens vivido o mesmo dia incessantemente. Não te percas nesses vídeos de alguns segundos na internet, nem te deixes levar pela ideia de copiar ou falsificar. Não deixes que os outros te determinem. Tu és o teu próprio criador.

Por isso, neste nosso dia, lembremo-nos, o estudante é mais do que um número numa pauta, uma classificação num exame ou um mero diploma.

Nós somos proativos, criativos, resilientes.

Pelas gargalhadas silenciadas, pelas horas de estágio não cumpridas, pelas experiências não vividas, pelos “melhores anos da nossa vida” confinados em casa, temos de dizer não a este ciclo vicioso.

Dizer não à passividade, à inércia e à continuidade.

Para isso, trabalhemos juntos, alunos, professores e ministros, para que desta pandemia possa emergir um novo Portugal.

Ana Raquel Rodrigues
Aluna de Medicina da Universidade da Madeira.

Publicado no DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA, no âmbito da parceria com a ACADÉMICA DA MADEIRA.