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Meteorito mais antigo que a Terra

Objeto descoberto num mar de areia no sul da Argélia teria feito parte de um planeta que estava em formação. As características deste meteorito poderão ajudar-nos a compreender a formação dos planetas do Sistema Solar.

A rocha vulcânica mais antiga que a humanidade já descobriu poderá ajudar-nos na compreensão dos blocos de construção dos planetas. A análise à radioatividade dos isótopos de alumínio e magnésio deste meteorito revelou que estes minerais se cristalizaram há cerca de 4,56 mil milhões de anos, o que torna o meteorito encontrado no deserto do Saara em 2020 mais antigo do que o nosso planeta, que tem aproximadamente 4,54 mil milhões de anos.

Jean-Alix Barrat, investigador principal do estudo publicado este mês na revista PNAS, da Université de Bretagne Occidentale, trabalha em meteoritos há mais de 20 anos e afirmou que este se trata possivelmente do mais fantástico novo meteorito que já viu. Quando o cientista e os seus colegas analisaram o meteorito, a que chamaram de Erg Chech 002 – em homenagem ao local onde foi descoberto, perto de Bir Ben Takoul, no sul da Argélia, dentro do mar de areia Erg Checheno – perceberam que este meteorito era diferente de qualquer outro alguma vez localizado.

E porquê? Porque se trata de um tipo de rocha chamada andesite que, na Terra, se encontra principalmente em zonas de subducção – áreas onde placas tectónicas colidiram e uma foi empurrada para debaixo da outra – e raramente em meteoritos. A maior parte dos meteoritos descobertos na Terra são feitos de outro tipo de rocha vulcânica chamada basalto. A análise da composição química do novo meteorito mostrou que este já foi fundido, e solidificado há quase 4,6 mil milhões de anos.

Isto provavelmente significa que se formou a partir de um vulcão e fez parte de um protoplaneta, ou seja, um planeta que estava em formação quando o Sistema Solar ainda tinha 2 milhões de anos.

Porque é considerado uma relíquia dos primeiros tempos do Sistema Solar?
Quando foi descoberto em maio do ano passado, este objeto foi inicialmente classificado como acondrito, um meteorito constituído pelo que parece ser material vulcânico, originado de um corpo que sofreu derretimento interno para diferenciar o núcleo da crosta – um protoplaneta.

“Quando a equipa comparou as características espectrais do EC 002 com as de asteroides, não encontrou nada que combinasse com ele o que torna este objeto numa autêntica relíquia dada a sua raridade.”

Como os acondritos são bastante comuns no Sistema Solar, é possível que a formação de protoplanetas com crostas de andesito também fosse comum. Contudo, quando a equipa comparou as características espectrais do EC 002 – a forma como interage com a luz – com as de asteroides, não encontrou nada que combinasse com ele.

O EC 002 é considerado uma relíquia dos primeiros tempos do Sistema Solar, uma vez que nenhum asteroide ou meteorito conhecido se parece com ele, o que indica quão rara é a descoberta, e como estas rochas provavelmente já não existem.

A análise dos investigadores mostrou que o magma que compõe o EC 002 levou pelo menos 100.000 anos a arrefecer e solidificar depois de derreter, o que pode indicar que era invulgarmente viscoso. Eles consideram que um estudo mais aprofundado deste artefacto do sistema solar primitivo vai ajudar a encontrar mais pistas sobre a formação dos planetas no nosso Sistema Solar.

Clique aqui para ler a notícia do Tempo.pt de 14/03/2021.