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Lixo marinho não pára de acumular

Nalgumas zonas do estreito de Messina, há mais de um milhão de objectos por quilómetro quadrado. Investigador da Universidade dos Açores participou no estudo.

O estreito de Messina, uma ponte submarina que separa a ilha da Sicília da península italiana, é a área com maior densidade de lixo marinho a nível mundial, indica um estudo divulgado na revista científica Environmental Research Letters.

Nalgumas zonas do estreito, especifica o estudo, há mais de um milhão de objectos por quilómetro quadrado.

Os autores da investigação dizem também que nos próximos 30 anos o volume de lixo no mar poderá ultrapassar os três mil milhões de toneladas métricas.

Miquel Canals, da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Barcelona, e Georg Hanke, do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, lideraram o estudo, que faz uma síntese dos conhecimentos actuais sobre materiais de origem humana deitados no fundo do mar e que foi também assinado por peritos da Universidade dos Açores, entre outras instituições.

No documento os especialistas alertam que o fundo do oceano está a acumular cada vez mais lixo e que os piores locais do fundo do mar, provavelmente mar profundo, ainda estão por encontrar (já foram encontrados plásticos no ponto mais fundo, a fossa das Marianas, a 10.900 metros de profundidade), e salientam que nalguns casos as concentrações de lixo atingem dimensões comparáveis a grandes aterros.

Apesar dos esforços da comunidade científica, “a extensão do lixo marinho nos nossos mares e oceanos ainda não é completamente conhecida. As regiões marinhas mais afectadas pelo problema ficam em mares interiores e semi-fechados, fundos costeiros, zonas marinhas sobre a influência da foz de grandes rios, e lugares com muita actividade pesqueira, mesmo longe da costa”, disse Miquel Canals.

O responsável adiantou que o tipo de tratamento dos resíduos em países com ligação ao mar é muito importante, porque quanto menos eficiente for mais resíduos chegam ao fundo dos oceanos, sendo que o problema afecta especialmente os países mais pobres.

Os especialistas dizem que os materiais mais abundantes no fundo do mar são o plástico, artes de pesca, metal, vidro, cerâmica, têxteis e papel, e explicam que as dinâmicas oceânicas, como as correntes, determinam a distribuição do lixo, desde as costas às planícies profundas.

Por norma, acrescentam, os resíduos mais leves são transportados para regiões marinhas onde fluem correntes fortes, acabando por se depositar em zonas tranquilas. As propriedades dos materiais também afectam a sua dispersão, com os investigadores a estimarem que 62% do lixo no fundo do mar é de plástico, relativamente leve e fácil de transportar para grandes distâncias, e a dizerem que objectos mais pesados ficam normalmente no ponto onde caem.

No estudo lembra-se também que cerca de 700 espécies marinhas, 17% das quais na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, foram afectadas pelo lixo, especialmente pelas redes de pesca, de decomposição lenta.

Além disso outras actividades humanas, como as dragagens ou o arrasto, provocam a dispersão e fragmentação do lixo, que quando muito concentrado pode aprisionar outro lixo e gerar acumulações cada vez maiores. Se nessas aglomerações existirem produtos como pesticidas, herbicidas, medicamentos ou substâncias radioactivas a vida marinha pode ficar em perigo.

Miquel Canal afirma no documento que no Mediterrâneo o lixo marinho já é um grave problema ecológico, com grandes acumulações em locais da costa da Catalunha. Quando da tempestade Gloria, em 2020, algumas praias da região ficaram “literalmente pavimentadas com lixo” atirado pelas ondas.

Se o lixo das praias ou o que flutua é fácil de ser identificado e monitorizado, os especialistas advertem que o estudo do lixo marinho é um desafio tecnológico, mais complexo quanta maior é a profundidade do mar. Esse conhecimento e dados, dizem, é importante para a formulação de políticas de defesa dos oceanos.

Clique aqui para ler a notícia do Público de 21/01/2021.