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6 mitos da reciclagem esclarecidos

Não, os camiões não misturam o lixo na recolha, nem os materiais reciclados têm menos qualidade. Vamos acabar com estes mitos (e não só) de uma vez por todas e falar de opções ainda mais eco-friendly.

Para mudar o mundo, não são habitualmente necessárias mudanças drásticas no nosso estilo de vida. Pequenos gestos diários, feitos por milhões de pessoas, podem ter um impacto extremamente positivo. É por isso que é tão importante adotar práticas mais amigas do planeta. A reciclagem é uma delas, que permite dar uma nova vida aos objetos já depois de saírem de nossa casa. Contudo, antes os colocarmos no ecoponto também é possível dar-lhes novas utilidades, reduzindo a necessidade de comprar objetos novos. Vamos falar um pouco de tudo: desvendar mitos associados à reciclagem, salientar a importância de reduzir e reutilizar no nosso dia a dia e falar de produtos amigos do ambiente.

6 mitos associados à reciclagem
O mundo da reciclagem está repleto de mitos, o que gera alguma desconfiança nos métodos utilizados. Mas não há motivos para isso. Desvendamos aqui seis ideias erradas acerca da reciclagem.

Mito 1: “O lixo dos ecopontos é todo misturado no camião durante a recolha”

Não é verdade. Os camiões que fazem a recolha do lixo para reciclagem têm vários compartimentos, cada um destinado a um tipo de material. Por isso, o mesmo camião pode, por exemplo, transportar o plástico, o vidro e o papel, mas todos estes materiais estarão separados por tipo. Só porque vemos todos os contentores a serem descarregados para o mesmo camião, não significa que essa divisão não esteja a ser feita. Chegando ao centro de triagem, os diferentes tipos de lixo serão depositados em zonas de tratamento específicas. Por outro lado, há um sistema de reciclagem que pressupõe que todo o lixo para reciclar pode ser depositado no mesmo contentor: o single-stream. Este método, que tem vindo a ser adotado nalguns países desde os anos 90, consiste num sistema de separação do lixo em que as embalagens de papel, plástico, metal e vidro são recolhidas no mesmo contentor. Esta forma de reciclar tem vantagens e desvantagens. Se, por um lado, tornou todo o processo mais fácil para o consumidor, o risco de contaminação entre materiais é maior. Com o objetivo de evitar ao máximo o desperdício, muitas pessoas acabam por lá colocar tudo: desde cascas de banana a molduras e telemóveis. De um modo geral, hoje em dia, cerca de 1/4 de todo o lixo colocado nos contentores de reciclagem não pode ser reciclado, como:

Desperdício alimentar;
Mangueiras de borracha;
Arame;
Alguns tipos de plástico;
Entre outros.

O resultado? Desperdício de espaço e de combustível no transporte (que poderia ser ocupado por materiais que pudessem ser realmente reciclados), potencial bloqueio das máquinas, contaminação de materiais e riscos para os trabalhadores.

Mito 2: “Se é feito de mais do que um material não pode ser reciclado”

Se nos primórdios da reciclagem isto até podia ser verdade, atualmente, este fator já não é uma limitação. Há algumas décadas, a tecnologia disponível para este setor era mais limitada e, por isso, era impossível reciclar objetos que fossem compostos por vários tipos de materiais, como pacotes de sumos, embalagens de leite ou até brinquedos. As máquinas hoje utilizadas permitem “desfragmentar” os objetos, dividindo-os nos seus diversos materiais constituintes. Além disso, como procura gera oferta, os fabricantes de todos os tipos de produtos que utilizamos no nosso dia a dia têm vindo a apostar cada vez mais na produção de materiais mais fáceis de reciclar. Mas e quando estamos em frente ao contentor, com um objeto constituído por dois tipos de materiais, o que fazer? Por exemplo, um envelope poderia ser tanto depositado no ecoponto azul, como no amarelo, pois é constituído por papel e por plástico (na janela). Aqui, a decisão é simples: se não conseguir separar os dois tipos de material, coloque-o no contentor da maior quantidade. No caso do envelope, é o papel.

Mito 3: “Os materiais só podem ser reciclados uma vez”

Há cada vez menos limites quanto ao número de vezes que um objeto pode ser reciclado, o que é sinónimo de poupanças substanciais de recursos naturais e de energia. Vamos a exemplos concretos. O vidro e o metal (como o alumínio) podem ser reciclados indefinidamente e de forma muito eficaz, sem que haja uma perda de qualidade associada. Já no caso do papel, é verdade que, de cada vez que é reciclado, as suas pequenas fibras que o mantêm comprimido vão ficando gradualmente danificadas. Contudo, a qualidade do papel feito a partir de materiais reciclados tem vindo a aumentar e muito. Sabia que, atualmente, uma folha de papel virgem pode ser reciclada 5-7 vezes antes de as tais fibras começarem a ficar demasiado degradadas para ser usadas em papel novo? Mas a vida do papel não acaba aqui. Depois disto, pode ser usado noutros objetos à base de papel de menor qualidade, como as caixas de ovos que temos na nossa dispensa. Já o plástico é um dos materiais com uma vida de reciclagem mais curta. Muitas vezes, os objetos constituídos por este material só podem ser reciclados 1-2 vezes para serem transformados num novo produto de plástico. E habitualmente o plástico não se transforma novamente em plástico. Nós explicamos: quando colocamos uma garrafa de plástico no contentor, ela não se transforma numa nova garrafa, mas sim num tapete ou em roupa, por exemplo, que não são recicláveis. Por isso, é muito importante fazer um uso inteligente dos materiais, sobretudo do plástico.

Mito 4: “Os materiais reciclados são de menor qualidade”

São muitas as pessoas que ainda acreditam que os objetos feitos a partir de materiais reciclados apresentam menor qualidade quando comparados com os que são feitos a partir de matéria-prima virgem. Mas, à medida que os anos passam e o conhecimento, os métodos e a tecnologia evoluem, também os produtos reciclados têm cada vez melhor qualidade. Os inúmeros estudos que são feitos nesta área têm comprovado este facto é demonstrado que, por exemplo, o papel feito a partir de materiais reciclados cumpre atualmente padrões de qualidade muito elevados.

Mito 5: “Reciclar não traz benefícios para o planeta”

Os benefícios da reciclagem para o planeta são claros. Quem o diz é a Environmental Protection Agency. A poupança de recursos naturais é bastante significativa. Por exemplo, latas de alumínio reciclado gastam menos 95% da energia que seria necessária para produzir as mesmas latas “de raiz”. Na reciclagem do papel também se poupa cerca de 60%. Já no caso do plástico e do vidro, as poupanças correspondem a aproximadamente 1/3 da energia. Sabia que a energia que se poupa na reciclagem de uma garrafa de vidro é a suficiente para alimentar uma lâmpada de 100watts durante quatro horas? Mas não é só o planeta que agradece, a saúde também. Reciclar ajuda a reduzir a quantidade de lixo, que pode contribuir para o contágio de algumas doenças, como as infeções bacterianas e fúngicas.

Mito 6: “Para serem reciclados, os produtos têm de estar em perfeitas condições”

Tem uma lata esmagada ou uma embalagem de detergente amachucada e está na dúvida se ainda a pode reciclar ou se deve deitá-la no lixo normal? Fique a saber que pode (e deve) colocá-la no ecoponto. Aliás, antes de depositar as embalagens no ecoponto, deve espalmá-las para que ocupem o mínimo de espaço possível. Apesar de já não apresentarem a sua forma original, não há qualquer impacto a nível de capacidade de reciclagem do produto. Isto porque a maior parte destes objetos é derretido ou triturado e comprimido em pellets. Outra ideia errada muito presente entre nós é a de que é preciso lavar as embalagens antes de as colocar no ecoponto. Não, não é necessário fazê-lo. Deve, sim, escorrer o seu conteúdo e, quando muito, passá-las por água para evitar odores enquanto tem o lixo em sua casa. Contudo, não é necessária uma lavagem minuciosa. Além de gastar tempo precioso, desperdiça água, um recurso natural muito precioso e limitado.

O que (não) pode ser reciclado
Há objetos que, embora sejam recicláveis, não devem ser colocados no ecoponto. É o caso, por exemplo, do papel ensopado em gordura. Contudo, nada de extremos. Muitas pessoas não colocam a caixa da pizza no ecoponto azul, quando na verdade não há problema em fazê-lo. Esta embalagem não tem habitualmente uma quantidade de gordura que seja impeditiva de ser reciclada. O papel húmido também deve ficar fora deste contentor, pois a humidade pode ser prejudicial ao processo. E, por falar em papel, sabia que nem tudo a aquilo que chamamos de papel deve ser colocado no ecoponto azul? É o caso do papel vegetal, plastificado ou autocolante. Também os recibos das nossas compras, impressos em papel térmico, não são recicláveis. Isto porque são compostos não só por vários materiais, mas também porque contêm uma combinação de químicos potencialmente nocivos. Se fossem reciclados, estes químicos acabariam por ser libertados para o meio ambiente. Por isso, já sabe: recibos são colocados no lixo comum. Melhor ainda é se optar pelas faturas eletrónicas: zero desperdício.

Reduzir e reutilizar devem ser a primeira opção
Sabia que cada português gerou uma média de 507,8 kg de lixo em 2018, mais 21 kg do que em 2017? Reciclar é fundamental para reduzir a quantidade de lixo que produzimos e que acaba em lixeiras, mas ainda mais importante para atingir esse objetivo é comprar menos – apenas aquilo que for mesmo necessário – e reutilizar ao máximo os materiais que já temos em nossa casa, dando-lhes novas vidas e funções. A produção e transporte de novos materiais, incluindo os reciclados, implica um gasto de recursos e energia. Além disso, contribui para maiores níveis de poluição. Por outro lado, a redução e reutilização de objetos ajuda a cortar nas emissões de gases com efeitos de estufa, que contribuem e muito para as alterações climáticas. Além disso, a vantagem extra é que é uma forma de poupar dinheiro.

Formas simples de reduzir e reutilizar
Comprar em segunda mão é uma tendência com cada vez mais seguidores. E o que é que isso significa? Há cada vez mais oferta: desde roupas a materiais de construção, disponíveis em lojas especializadas ou em sites de venda online. Muitos deles estão em ótimas condições, como novos. Procure também produtos que tenham o mínimo possível de embalagem, o que significa menos desperdício. Por exemplo, quando compra a granel, sobretudo se levar o seu saco de pano ou recipiente, não gasta embalagens. Outra regra de ouro passa por dizer “não” ao descartável, optando sempre por materiais reutilizáveis. Uma ideia muito prática para fazê-lo passa por ter a sua própria garrafa de metal ou de vidro em vez de comprar uma garrafa de água nova todos os dias. Reparar também devia ser o quarto R (a par de reduzir, reutilizar e reciclar). Isto significa coser as meias quando têm um buraco, remendar o pneu da bicicleta quando tem um furo e por aí adiante. Pedir emprestado ou alugar também é uma excelente forma de reduzir a compra de produtos novos, tais como decorações para festas, ferramentas ou até mobília.

Fazer escolhas sustentáveis (e inteligentes) no ato da compra
Com o aumento da procura por parte dos consumidores, também as marcas têm de se adaptar e oferecer produtos cada vez mais amigos do ambiente. Se há cada vez mais roupas feitas a partir de materiais reciclados, como o poliéster reciclado, também os fabricantes de produtos alimentares têm tido um maior cuidado nas escolhas dos seus ingredientes e embalagens. Um bom exemplo é Flora Plant, um creme 100% vegetal com sabor a manteiga, que pode ser usado exatamente da mesma forma que este derivado do leite: seja para barrar numa fatia de pão ou para cozinhar. E sabe o que é que deixa a nossa comida ainda mais saborosa? Saber que é amiga do ambiente. E Flora Plant é assim dos pés à cabeça, que é como quem diz do creme à embalagem, feita a partir de materiais biodegradáveis. Estudos demonstraram que este creme vegetal tem metade do impacto climático comparativamente à manteiga normal. Em termos muito práticos, isto significa que trocar 250 g de manteiga pela quantidade equivalente de Flora Plant pode economizar emissões de gases com efeito estufa equivalentes ao carregamento de um smartphone por 290 noites ou 24 garrafas de plástico.

Clique aqui para ler a notícia do Observador de 21/12/2020.