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Altas temperaturas na Sibéria

Cidades na Sibéria têm vindo a registar temperaturas-recorde que chegam aos 30 graus. Cientistas alertam que onda de calor é “um sinal, sem dúvida, alarmante”.

Há vários meses que a Sibéria tem vindo a ser afectada por uma onda de calor, com cidades russas localizadas no Círculo Polar Árctico a registarem temperaturas-recorde. É o caso de Nizhnyaya Pesha, que atingiu os 30 graus Celsius a 9 de Junho, e de Khatanga, que atingiu os 25ºC a 22 de Maio — sendo que, em circunstâncias normais, as temperaturas durante o dia nesta localidade, para esta altura do ano, rondam os zero graus.

De acordo com os dados do serviço europeu de mudanças climáticas Copernicus, em Maio, as temperaturas da superfície nalgumas partes da Sibéria subiram até 10ºC acima da média. Segundo Martin Stendel, do Instituto de Meteorologia Dinamarquês citado pelo diário britânico The Guardian, tais temperaturas anormais provavelmente registar-se-iam na Sibéria apenas uma vez em cada 100 mil anos sem o impacto da mão humana e do aquecimento global.

Para Freja Vamborg, cientista do serviço europeu de mudanças climáticas Copernicus ouvida pelo mesmo jornal, este é “um sinal, sem dúvida, alarmante”, embora a especialista sublinhe que não foi apenas o mês de Maio que foi “excepcionalmente quente na Sibéria”. “Todo o Inverno e Primavera tiveram períodos repetidos de temperaturas da superfície acima da média”, nota, acrescentando que, “embora o planeta esteja a aquecer como um todo, isso não está a acontecer de maneira uniforme”. “A Sibéria Ocidental destaca-se como uma região que mostra uma tendência de aquecimento com variações maiores na temperatura. Até certo ponto, grandes anomalias na temperatura não são inesperadas”, explica. Porém, o que é “incomum” é o longo período de tempo durante o qual estas temperaturas excepcionalmente altas se têm vindo a registar.

“Este Inverno foi o mais quente na Sibéria desde que começaram os registos, há 130 anos. As temperaturas médias foram até seis graus mais elevadas” do que o normal nessa época do ano, garante, por sua vez, Marina Makarova, do serviço meteorológico russo Rosgidromet.

Os cientistas estimam que 2020 possa vir a ser o ano mais quente de que há registo, em grande parte devido à onda de calor que se tem vindo a registar, ao longo dos últimos meses, na Sibéria — embora destaquem que, este ano, houve uma queda significativa nas emissões globais de dióxido de carbono durante o período de confinamento devido à pandemia de covid-19.

Segundo os especialistas, as temperaturas nas regiões polares estão a aumentar rapidamente porque as correntes marítimas transportam o calor para os pólos e as camadas de gelo e neve acabam por derreter. Os cientistas ouvidos pelo The Guardian alertam para a questão do degelo que, dizem, poderá ter estado, em parte, na origem de um enorme derrame de combustível no Árctico, que levou o Presidente russo, Vladimir Putin, a declarar o estado de emergência na cidade de Norilsk. Além disso, notam que o aumento das temperaturas poderá estar directamente relacionado com os incêndios que têm vindo a assolar a região e uma praga de traças que corroem as árvores.

Clique aqui para ler a notícia do Público de 18/06/2020.