FCT, ABIC e prazos de candidaturas
28 de Abril de 2020.
Estágios PEJENE para alunos
18 de Maio de 2020.
Mostrar Tudo

Bilateridade na segurança

Cerca de dois meses após o primeiro caso de COVID-19 em Portugal, muito trabalho foi desenvolvido para garantir que a educação não sofresse uma pausa e, consequentemente, não prejudicasse os estudantes que frequentam o sistema de ensino português.

Numa altura em que se discute o progressivo regresso à actividade na Universidade da Madeira (UMa), é necessário garantir que esse regresso seja feito respeitando as recomendações das autoridades de saúde e de segurança, em articulação com a Academia. Além disso, configura-se como uma oportunidade para analisarmos e discutirmos a experiência, imediata e custosa, das semanas em que toda a comunidade académica foi sujeita a um sistema de ensino remoto, para a qual ninguém se pôde preparar.

Não é devido ao facto das Instituições de Ensino Superior (IES) terem optado, no imediato, pelo ensino à distância — embora não se encontrassem mais preparadas — que os estudantes não estão a ter constrangimentos, embora estejam a tentar dar continuidade ao semestre, dentro das possibilidades. Outras dificuldades estão também a ser experimentadas pelos docentes que foram sujeitos a pressão de converter os seus conteúdos lectivos para um formato que não tinha paralelo. Dependendo da natureza de cada curso, existem alunos que têm unidades curriculares com fortes componentes práticas e laboratoriais que não estão a ser ministradas à distância; estágios que se encontram suspensos ou solucionados de forma não-ideal; ou material bibliográfico inacessível, fulcral para os estudantes que realizam trabalhos de investigação. Estas são apenas algumas dificuldades, face à actual conjuntura.

Neste contexto de incerteza e de instabilidade emocional, e com o objectivo de entender de forma mais precisa os desafios que os estudantes da UMa estão a vivenciar, a Académica da Madeira, através do seu Observatório da Vida Estudantil, desenvolveu um inquérito que pretende avaliar a situação do primeiro mês efectivo de ensino à distância. O inquérito foi aplicado por questionário, através de chamadas telefónicas ao longo de dez dias, obtendo 251 respostas válidas de alunos do 1.º ciclo de estudos da UMa. Estando ainda o inquérito em análise, esperamos nos próximos dias divulgar os resultados para que as decisões, mesmo num clima de incerteza, tenham alguma base e fundamento, de acordo com as convicções dos alunos.

No dia 17 de Abril, de forma a solucionar alguns dos problemas anteriormente referidos, o Ministério da tutela enviou um comunicado para as IES elaborarem os planos necessários, até ao final deste mês, para um levantamento progressivo das medidas de contenção motivadas pela pandemia, com o propósito de existir uma reactivação faseada das actividades presenciais mas sempre dependente do actual estado de emergência. O planeamento do regresso é fundamental, com a precaução e a calma necessária nestes momentos, garantindo a saúde de todos. Se o isolamento foi e está a ser difícil, o regresso será ainda mais custoso. Na UMa, essa reabertura pretende ser feita de uma forma muito faseada e controlada, uma vez que não se pretende leccionar aulas teóricas nem teórico-práticas; o número total de alunos em cada sala de aula e na Universidade será reduzido; e os cuidados serão multiplicados, cumprindo todas as recomendações a nível sanitário e de higiene, bem como as medidas de distanciamento social e na utilização de equipamentos de protecção individual.

Neste momento, quando não estamos a combater o vírus por não existir ainda qualquer vacina, devemos, nos próximos meses, aprender a estar em segurança em ambiente social, familiar e académico até que essa solução possa existir e proteger a comunidade. Em breve iremos retomar, vagarosamente e apenas para alguns estudantes, ao ensino presencial, mas com as recomendadas medidas de higiene e de segurança. É preciso existir protecção e segurança para assegurar o regresso mas, acima de tudo, é também necessário segurança e confiança das pessoas para esse regresso, sempre sem colocar em causa o bem comum.

Artigo de Carlos Abreu, Presidente da Direcção da Académica da Madeira. Publicado na edição de 28-IV-2020 do JM.