A brief history of Croatia
23 de Novembro de 2019.
Culturally active countries
25 de Novembro de 2019.
A Mão de Sangue, de João Augusto de Ornelas, é o número 5 da colecção Ilustres (Des)conhecidos.

Eu já disse que este livro tem as bellezas do entrecho sobre-excedidas pela opulencia da linguagem. O sr. João Augusto d’Ornellas é já muito conhecido e considerado entre os bons escriptores portuguezes. Os seus romances anteriores davão a prever os realces e melhorias que admiro n’A MÃO DE SANGUE.

Camilo Castelo Branco, 1874, p. XIII

O verdadeiro reconhecimento público e a boa receção literária foram devidas ao modo como a vida pessoal de sofrimento e a profissão de jornalista lhe deram motivos e forças para, pela publicação de folhetins e romances, deixar um excelente espólio literário para a literatura romântica madeirense do século XIX.

António Carvalho da Silva, 2019, p. 12

Continuando a trabalhar no sentido de divulgar trabalhos de autores madeirenses ou que tivessem passado pelo arquipélago, a Académica da Madeira apresenta o quinto número da coleção Ilustres (Des)conhecidos, reeditando a obra A Mão de sangue de João Augusto de Ornelas.

João Augusto de Ornelas nasceu no Estreito de Câmara de Lobos, em 1833, tendo falecido no Funchal a 11 de julho de 1886. Pouco se sabe da sua infância, já que terá sido uma criança enjeitada. Foi aluno do Liceu do Funchal, atual Escola Secundária Jaime Moniz, trabalhou como tipógrafo, destacando-se como jornalista, nomeadamente no periódico O Direito, que também dirigiu. Casou em 1866 com Adelaide Augusta da Silveira e esteve ligado a instituições de caridade. Começou a publicar em jornais literários, tendo alcançado notoriedade com inúmeros folhetins divulgados na imprensa, mas, sobretudo, com seis romances editados sob o signo do Romantismo.

Editado pela primeira vez em 1874 pela Tipografia Universal e prefaciado por Camilo Castelo Branco, o livro será republicado em 54 fascículos no periódico O Direito. O sucesso tal que levou o Comércio do Funchal a reeditá-lo, em 1964, primeiramente em folhetim, antes de o propor para uma nova edição em livro.

Iniciada a 27 de novembro de 1668 no Funchal, a ação de A Mão de Sangue de João Augusto de Ornelas retrata uma sociedade conservadora, ultramontana e temente a Deus. A ação do romance estende-se por vinte capítulos apresentando, ainda, uma Conclusão e um Epílogo, terminando em Portugal, na cidade do Porto, depois de passar pelo Brasil, Inglaterra, França e Alemanha.

A obra encontra-se à venda na Gaudeamus, na Fnac, na Wook, na Bertrand (online e lojas) e noutros livreiros nacionais e regionais.

Sobre a Coleção

A coleção Ilustres (Des)conhecidos, publicada sob a chancela da Imprensa Académica, pretende recordar ou apresentar autores e obras literárias que foram publicados no passado, mas que, temporal ou espacialmente distantes do público, devem compor o corpus literário madeirense, conhecido e acessível, para afirmação e edificação contínua da nossa Cultura e Arte.

1. Os que se divertem (A comédia da vida)
2. Os Mistérios do Funchal
3. Saias de Balão (Na Ilha da Madeira)
4. Uma Família Madeirense
5. A Mão de Sangue

Sobre a Obra

Jornalista e escritor, João Augusto de Ornelas publica A Mão de Sangue em 1874. O enredo, que remete o leitor para o século XVII, desdobra-se em torno de atos monstruosos cometidos pela ambição de dois irmãos. O romance revela três cartografias distintas (Funchal, Brasil e Porto) e recria uma época, com os seus ambientes, usos e costumes. O livro apresenta-se sob o signo do crime, da fuga e do castigo, permitindo ainda desvendar reencontros amorosos e desejo(s) de superação. O autor dialoga com a sensibilidade (ultra)romântica da segunda metade do século XIX, mas são as peripécias, as (des)aventuras e o suspense que continuam a ditar o sucesso editorial do romance.

EDIÇÃO LITERÁRIA: Leonor Martins Coelho
PREFÁCIO: António Carvalho da Silva
POSFÁCIO: Leonor Martins Coelho

Sobre o Autor

João Augusto de Ornelas, nasceu no Estreito de Câmara de Lobos, em 1833, tendo falecido no Funchal a 11 de julho de 1886. Pouco se sabe da sua infância, já que terá sido uma criança enjeitada. Foi aluno do Liceu do Funchal, atual Escola Secundária Jaime Moniz, trabalhou como tipógrafo, destacando-se como jornalista, nomeadamente no periódico O Direito, que também dirigiu. Casou em 1866 com Adelaide Augusta da Silveira e esteve ligado a instituições de caridade. Começou a publicar em jornais literários, tendo alcançado notoriedade com inúmeros folhetins divulgados na imprensa, mas, sobretudo, com seis romances editados sob o signo do Romantismo. A Arrependida (1871; com carta de J. Vieira de Castro; introdução de J. César Machado) Maria: Páginas Íntimas (1873; com prólogo de A.A. Teixeira de Vasconcelos) A Mão de Sangue (1874; com impressões da leitura de Camilo Castelo Branco) A Justiça de Deus (1877; com prefácio de M. Pinheiro Chagas) A Vítima dum Lazarista (1879) O Enjeitado (1886; com carta-prefácio de M. Pinheiro Chagas) A MÃO DE SANGUE, cuja 1.ª edição veio a lume pela Tipografia Universal (Lisboa, 1874), foi republicada em fascículos no periódico O Direito (1905). O sucesso do texto ditou nova republicação em fascículos pelo jornal Comércio do Funchal (1946), bem como uma 2.ª edição em livro (1946). A 3.ª edição do romance surge em 1997 pela Editorial Calcamar, dirigida na época por João Adriano Ribeiro.

Sobre a Imprensa Académica

A Imprensa Académica é uma editora criada em 2014 pela Académica da Madeira, que é a proprietária e a gestora de toda a sua actividade. Ao longo dos anos tem publicado em várias áreas do saber, através da iniciativa da sua equipa, de trabalhos contratados por entidades externas e de propostas recebidas de autores ou organizações.

A actividade da Imprensa Académica nasce para fomentar a investigação científica nos estudantes e nos antigos estudantes, divulgar os trabalhos produzidos nas instituições de ensino superior e promover a interacção com a sociedade. Aliado a esses propósitos, a actividade da Imprensa Académica permite a angariação de receitas para os programas de apoio social e de voluntariado da Académica da Madeira.

Vencedor, em 2019, do Prémio Boas Práticas Associativismo Jovem, na categoria Estudantil, atribuído pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude, o programa continua a apostar na oferta de oportunidades na comunidade académica, juvenil e população geral, como veículo de expressão enquanto escola de cidadania activa e de participação cívica e democrática dos jovens, sendo particularmente reconhecida pela sua qualidade, dimensão territorial e impacto social relevante na comunidade.

Consulte, aqui, o catálogo de publicações da Imprensa Académica.