Asproni, Motzo, Arborea
3 de Novembro de 2019.
University For the Common Good
5 de Novembro de 2019.
Mostrar Tudo

Ocean Cleanup chega aos rios também

Depois de conseguirem retirar plástico do Pacífico (com algumas críticas e atrasos), embarcações da Ocean Cleanup chegam a alguns dos rios mais poluídos do mundo. Objectivo é interceptar o lixo antes de desaguar no oceano.

Não foi sem percalços na navegação, mas os navios da Ocean Cleanup chegaram finalmente à ilha do lixo do Pacífico Norte no início de Outubro. Agora, o holandês Boyan Slat ouviu algumas das críticas feitas ao seu sistema de limpeza de plástico dos oceanos e virou-se para um dos principais caminhos do lixo: os rios.

“Para livrar os oceanos de plástico, nós temos tanto de limpar a ‘herança’ [o lixo que já está nos oceanos] como fechar a torneira, evitando que mais plástico chegue aos oceanos”, anunciou Boyan Slat, que começou a startup aos 18 anos. Esta mesma startup anunciou, esta semana, em Roterdão, que tem dois interceptors operacionais em Jacarta, na Indonésia e em Klang, na Malásia, bem como outras duas embarcações prontas a navegar no Vietname e em Santo Domingo, na República Dominicana. Segundo o site da Ocean Cleanup, estas barcaças são capazes de “extrair 50 mil quilogramas de lixo flutuante por dia”, o dobro se funcionarem “em condições óptimas”.

Os dispositivos têm uma barreira que se alonga para além da embarcação e dirige o lixo para “a boca” do Interceptor, que separa os resíduos por seis contentores. Quando fica cheio, o sistema envia automaticamente uma mensagem para um dos operadores em terra. A barcaça é trazida para terra e os contentores, esvaziados para a reciclagem.

O objectivo ambicioso declarado pelo fundador da Ocean Cleanup é ter interceptores autónomos movidos a energia solar em mil dos rios mais poluídos antes de 2025, dez anos depois de os navios terem começado a ser desenvolvidos. Estes rios serão responsáveis “por 80% do lixo que entra nos oceanos”, mostra uma investigação da startup que garante que o sistema não prejudica a “segurança e o movimento natural da vida marinha”. O sistema que está a recolher plásticos flutuantes na Grande Mancha do Lixo do Pacífico, depois de ter falhado a primeira tentativa e de se ter partido, foi acusado por cientistas de recolher também animais que vivem na superfície do oceano.

Jacarta, na Indonésia, foi o local escolhido para testar o protótipo adaptado aos rios, uma vez que já se realizavam operações de limpezas de rios na região. O fundador da startup defendeu que, “até agora, soluções para parar o plástico nos rios eram poucas e desenhadas apenas para localizações individuais”. No entanto, uma das críticas às embarcações apresentadas como inovadoras prende-se com o facto de já haver soluções semelhantes em alguns rios do mundo.

No porto interior de Baltimore, nos Estados Unidos da América — e, com igual sucesso, no Instagram — navega o Mr. Trash Wheel, um interceptor que “engole” 200 toneladas de lixo por ano desde 2014. Em 2016 e 2018 juntaram-se a ele o Professor Trash Wheel e o Captain Trash Wheel, respectivamente. Agora, a parceria Healthy Harbor já anda à procura do próximo nome para a embarcação que vai ser introduzida nas Gwynns Falls, também em Baltimore. “Nós achamos que é muito importante não só ter um interceptor mas ter uma mudança comportamental associada. Para que não estejas sempre a apanhar lixo sem parar”, disse à Wired Adam Lindquist, o director da Waterfront Partnership de Baltimore, uma organização não-governamental que desenvolve a campanha Baltimore’s Healthy Harbor (“Por um porto de Baltimore mais saudável”, numa tradução livre).

Notícia do Público de 29/10/2019.