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EU: elections and the future
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A apresentação teve lugar no dia 22/6, na Quinta Splendida, tendo sido seguida de uma visita guiada

Uma Família Madeirense, de João França, é o número 4 da colecção Ilustres (Des)conhecidos. A obra encontra-se à venda na Gaudeamus, na Wook, na Bertrand e noutros livreiros nacionais.

“Com entrecho situado no Caniço, precisamente a leste da cidade, e um título óbvio, este livro de João França escolhe mais uma vez a Ilha da Madeira, sua terra de origem, referindo o envolvimento paisagístico com nítida intenção de revelar a beleza bucólica do seu meio ambiente em simultâneo com a preocupação pela realidade histórica e a índole social duma época.”

Irene Lucília Andrade, p. 26

Continuando a trabalhar no sentido de divulgar trabalhos de autores madeirenses ou que tivessem passado pelo arquipélago, a Académica da Madeira apresenta o quarto número da coleção Ilustres (Des)conhecidos, reeditando a obra ‘Uma Família Madeirense’ de João França.

Jornalista, dramaturgo, poeta e romancista, João França nasceu no Funchal, em 1908, desenvolvendo grande parte da sua atividade na cidade de Lisboa, onde viria a falecer, em 1996.  Vários trabalhos não foram publicados em vida, deixando-os França ao sobrinho e depositário Ivo Sinfrónio França Martins que, com vários colaboradores, tem trazido à luz as obras pouco conhecidas deste ilustre madeirense.

Editado em 2005, pela Câmara Municipal de Santa Cruz, ‘Uma Família Madeirense’ é um romance que retrata a vida uma família burguesa da freguesia do Caniço, antes e após o 25 de Abril de 1974. A narrativa centra-se na família Vaz de Oliveira e no seu patriarca, o Comendador Bonifácio, homem conservador, salazarista reconhecido, temente a Deus e crente nas suas origens fidalgas, que parecem ligá-lo aos povoadores do Arquipélago. Orbitando em torno de si e da sua vontade, encontramos D. Vicência (a santa com quem casou), Jorge (o exemplo de filho), Lúcia (a filha adorada e martirizada) e todo o rol de personagens-tipo da sociedade madeirense dos meados do século XX, cujas vidas serão afetadas pelo Comendador.

O Caniço rural do século XX serve de cenário à história, que envolve uniões e discórdias familiares, amores e desamores e, acima de tudo, conflitos sociais que passam pela Revolta do Leite de 1936, até ao Verão quente de 1975.

A Académica da Madeira, através da Imprensa Académica, e com o apoio da Câmara Municipal de Santa Cruz, apresentou uma nova edição, adaptada à nova grafia. Este projeto, coordenado pelo professor e ensaísta Thierry Proença dos Santos, estudioso da obra da João França, apresenta algumas diferenças em relação à edição de 2005, visto que partiu do documento original dactilografado pelo autor, à guarda do sobrinho. Este número integra o prêambulo da primeira edição, da autoria da escritora Irene Lucília Andrade, desde cedo grande entusiasta desta reedição.

Indo ao encontro da fictícia quinta dos Vaz de Oliveira, no Caniço, a apresentação da obra teve lugar na icónica Quinta Splendida, na mesma freguesia. A sessão decorreu no dia 22 de Junho, e contou com a presença de Filipe Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, e de Thierry Proença dos Santos, coordenador desta edição.

Após a apresentação da obra, seguiu-se uma visita guiada à Quinta Splendida.

Sobre o autor

JOÃO BATISTA FRANÇA (Funchal, 1908- Lisboa, 1996) foi um jornalista e polígrafo que cultivou várias modalidades literárias: conto e romance, comédia e drama, teatro radiofónico e opereta, crónica e poesia. Ao longo da vida colaborou em vários periódicos, quer regionais, quer nacionais. Chegou a ser um simpatizante do anarco-sindicalismo. Em 1938, muda-se para o continente com o fito de seguir uma carreira profissional no jornalismo. Depois de uma passagem pelas redações de A Noite e o Jornal da Tarde, entra, em 1944, no matutino O Século, tendo-se aí afirmado como repórter internacional. A par da sua carreira de jornalista, colaborou com o meio teatral lisboeta e publicou vários livros no Continente. A partir dos anos 80, é na Região Autónoma da Madeira que a sua obra literária encontra respaldo: desde então, inéditos seus têm vindo a lume e alguns textos da sua autoria foram levados a palco. Nesse contexto, começam a surgir alguns estudos sobre a sua escrita. UMA FAMÍLIA MADEIRENSE foi elaborado nos anos 1981-1982 e publicado postumamente em 2005. A presente edição procede diretamente da versão original.

Sobre a colecção Ilustres (Des)Conhecidos

A COLEÇÃO ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, publicada sob a chancela da Imprensa Académica, pretende recordar ou apresentar autores e obras literárias que foram publicados no passado, mas que, temporal ou espacialmente distantes do público, devem compor o corpus literário madeirense, conhecido e acessível, para afirmação e edificação contínua da nossa Cultura e Arte.

  1. OS QUE SE DIVERTEM (A COMÉDIA DA VIDA)
  2. OS MISTÉRIOS DO FUNCHAL
  3. SAIAS DE BALÃO (NA ILHA DA MADEIRA)
  4. UMA FAMÍLIA MADEIRENSE

A coleção Ilustres (Des)Conhecidos, presta-se a um outro objetivo: levar ao interior da sala de aula os conteúdos culturais, históricos e sociais de uma Madeira não muito distante. Através do contacto com as escolas e seus docentes os conteúdos são apresentados e trabalhados em contexto escolar. Para que os jovens madeirenses possam, cada vez mais, explorar a literatura da sua terra através dessas novas reedições, a Imprensa Académica além de promover momentos de partilha e de reflexão permite que qualquer jovem estudante e demais comunidades tenha acesso às obras publicadas entregando alguns exemplares nas bibliotecas escolares.

Sobre a Imprensa Académica

Imprensa Académica é uma editora criada em 2014 pela Académica da Madeira, que é a proprietária e a gestora de toda a sua actividade. Ao longo dos anos tem publicado em várias áreas do saber, através da iniciativa da sua equipa, de trabalhos contratados por entidades externas e de propostas recebidas de autores ou organizações.

A actividade da Imprensa Académica nasce para fomentar a investigação científica nos estudantes e nos antigos estudantes, divulgar os trabalhos produzidos nas instituições de ensino superior e promover a interacção com a sociedade. Aliado a esses propósitos, a actividade da Imprensa Académica permite a angariação de receitas para os programas de apoio social e de voluntariado da Académica da Madeira.

Consulte, aqui, o catálogo de publicações da Imprensa Académica.