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Universitários, violência e namoro

Mais de um terço dos 2683 universitários inquiridos num estudo sobre violência no namoro em contexto universitário assumiram ter pelo menos uma vez exercido violência sobre o outro.

Dobraram há pouco a esquina dos 20 e têm formação universitária. Ainda assim, 54,7% dos jovens já sofreram pelo menos um acto de violência no namoro. Comportamentos como a difamação, o recurso às redes sociais para chantagear o outro, o hábito de vasculhar no telemóvel ou nos bolsos do casaco até às agressões físicas e à coacção para práticas sexuais não desejadas não são estranhos a mais de metade dos 2683 jovens inquiridos no estudo Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, promovido pela Associação Plano i.

Entre rapazes e raparigas, além das 54,5% das mulheres e dos 55,3% dos homens que se declararam vítimas de violência num contexto de namoro, 34,5% dos participantes assumiram terem praticado pelo menos um acto de violência. Como no plano da violência doméstica, os rapazes surgem como sendo quem mais exerce violência sobre o outro, “embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos”, sublinha o estudo, desenvolvido no âmbito do programa de Prevenção da Violência no Namoro em Contexto Universitário e cujos inquéritos foram aplicados entre Abril de 2017 e Janeiro último.

Na análise da violência praticada e sofrida nas relações de namoro entre universitários, a psicológica prepondera: 21,3% das mulheres e 17,3% dos homens declararam que já foram culpados, criticados, insultados e difamados sem razão.

Quanto a ameaças, gritos ou comportamentos como partir objectos e rasgar a roupa, foram sofridos por 14,7% das mulheres e 6,9% dos homens. E 12,9% das mulheres (contra 9% dos homens) reportaram que já foram ameaçadas ou chantageadas através das tecnologias da comunicação.

A percentagem das mulheres que já se sentiram controladas na forma de vestir, no penteado ou nos locais que frequentam é um pouco superior: 19,6%. Entre os homens, 8,7% declararam terem também vivenciado tais situações.

Numa proporção bastante mais reduzida, 4,5% das mulheres e 2,9% dos homens disseram terem sido visados por ameaças de morte ou sofrido ferimentos que obrigaram a tratamento médico.

O estudo conclui que a violência (sofrida e perpetrada) está mais presente entre os jovens que apresentam “crenças de género mais conservadoras”. O que leva a coordenadora executiva do estudo, a criminóloga Mafalda Ferreira, a insistir numa tecla já de si bastante pressionada entre quem trabalha estas matérias: “Estas crenças de género, que colocam o homem numa posição de superioridade e as mulheres numa posição subalterna, são o que sustenta a violência. Por isso, o foco tem de estar na educação, nomeadamente nas escolas”, relembrou, dizendo acreditar que “se esta educação para a cidadania e para a igualdade de género for feita desde o pré-escolar, estas crenças são mais facilmente desconstruídas”.

Ciúme é uma prova de amor? 16,8% dos homens concordam
No plano das percepções, o cenário está também muito longe do ideal. Mais de um quarto dos homens (27,9%) e 12,7% das mulheres concordam que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres. Não mais tranquilizador é o facto de 6,1% das mulheres e 12% dos homens concordarem que as mulheres que se mantêm em relações amorosas violentas são masoquistas.

Ao mesmo tempo, 16,8% dos homens concordam que o ciúme é uma prova de amor (3,4% das mulheres dizem o mesmo). Entre os homens, 9% subscrevem a afirmação que defende que a família deve ser a prioridade das mulheres, sendo que 6,9% das mulheres dizem o mesmo. Por outro lado, 8,7% dos homens e 2,3% das mulheres discordam que os direitos e os deveres devam ser iguais, independentemente do género.

Notícia do Público de 13/02/2019.