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Saturno poderá perder os seus anéis

Os anéis são uma das imagens de marca do sexto planeta a contar do Sol, mas a NASA revela que a estrutura não só é recente como é provável que desapareça daqui a 100 milhões de anos.

Saturno é conhecido pelos seus anéis, mas a estrutura de anéis que o orbita pode vir a desaparecer em “breve”: 100 milhões de anos podem parecer muito para uma vida humana, mas é pouco em termos cósmicos. Um estudo publicado em Novembro na revista científica Icarus e agora divulgado pela NASA revela que o material que constitui os anéis está a “chover” no planeta – a um ritmo que os cientistas referem ser o “pior cenário possível”. Só por causa dessa chuva, os anéis poderiam desaparecer em 300 milhões de anos. Mas quando se junta à equação as observações feitas pela sonda Cassini, o tempo de vida dos anéis baixa para 100 milhões de anos.

“Somos sortudos por poder ver este sistema de anéis de Saturno, que aparenta estar a meio da sua existência. No entanto, se os anéis são temporários, então talvez tenhamos também perdido a oportunidade de ver os sistemas de anéis gigantes de Júpiter, Urano e Neptuno, que continuam a ter pequenos anéis”, explicou o astrofísico James O’Donoghue, do Centro de Voos Espaciais Goddard, no estado norte-americano de Maryland. O cientista é também um dos autores do estudo publicado na Icarus.

Até agora, não se sabe se Saturno se formou já com anéis (criados a partir dos detritos deixados na formação do planeta) ou se os ganhou mais tarde. Estes estudos mais recentes dão a entender que é a segunda hipótese a mais provável, e que os anéis não existiam há mais de 100 milhões de anos – inferindo-o a partir da taxa actual de desaparecimento dos anéis. Para comparar, estima-se que Saturno tenha cerca de quatro mil milhões de anos. Se assim for (e se esta for a única vez em que foram formados), os anéis existiram apenas durante 2,5% da vida do planeta..

Os anéis são mantidos em órbita através do equilíbrio entre a gravidade do planeta (que os puxa para si) e a sua velocidade orbital, que os “atira” para o espaço. O problema é que, por vezes, as partículas que constituem os anéis ficam com carga eléctrica por acção do Sol. Isto torna-as susceptíveis à acção do campo magnético de Saturno, fazendo com que “chovam” no planeta. Só em meia hora, chove uma quantidade equivalente a uma piscina olímpica, ilustram os cientistas. Estas observações foram feitas por O’Donoghue e pelos outros cientistas com um dos dois telescópios gigantes do Observatório Keck, no Havai.

A nova investigação, que concilia as observações desta “chuva” com os dados recolhidos nas missões Voyager 1 e 2, revelam que os anéis estão a desaparecer a um “ritmo extremamente rápido”.

Os anéis de Saturno são sobretudo formados por gelo, e a sua dimensão varia entre o tamanho de partículas microscópicas até grandes calhaus do tamanho do Empire State Building, compara o jornal The Washington Post.

A primeira pessoa a ver estes anéis foi o astrónomo italiano Galileu Galilei (1564-1642), em 1610 – ainda que estivesse a utilizar um telescópio tão rudimentar que não percebeu imediatamente o que eram os anéis; pareciam-lhe orelhas gigantes. Só em 1659 é que o astrónomo holandês Christiaan Huygens se apercebeu de que a estrutura em torno do planeta eram anéis, tão brilhantes que podem hoje ser vistos com um telescópio em casa.

Notícia do Público de 21/12/2018.