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Reitores querem discutir o E.S.

“Vamos ter um ano de eleições, os partidos estão a fazer programas eleitorais, vão fazer programas de Governo e o nosso objectivo é fornecer elementos de conhecimento do ensino superior para esse debate”, disse Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE.

Os reitores vão iniciar 2019 a discutir os problemas do ensino superior, convidando para o debate instituições, alunos, académicos, mas também decisores políticos, para, em ano de eleições, tornarem públicas as questões que querem ver nos programas eleitorais.

A iniciativa é do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que ao longo de 2019, mas também em 2020, promove uma convenção do ensino superior, dividida em seis conferências, a primeira das quais está marcada para 7 de Janeiro, no ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa e vai tentar chegar a conclusões sobre as razões que levam 60% dos jovens que todos os anos concluem o ensino secundário a não prosseguir estudos no ensino superior.

“O que o CRUP pretende é colocar a política do ensino superior na agenda do debate público. Vamos ter um ano de eleições, os partidos estão a fazer programas eleitorais, vão fazer programas de Governo e o nosso objectivo é fornecer elementos de conhecimento do ensino superior para esse debate, para que sejam tema nos programas eleitorais. Tem que se perceber que o ensino superior continua a ser uma prioridade. Por isso é que os painéis são formados por uma mistura de peritos e políticos com responsabilidades — senão no poder executivo, no poder legislativo — e gerações mais jovens, do movimento associativo e das juventudes partidárias, que serão futuros decisores”, disse à Lusa a reitora do ISCTE e anfitriã desta primeira conferência, Maria de Lurdes Rodrigues.

Por seu lado, o presidente do CRUP e reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, António Fontainhas Fernandes, sublinha que a convenção pretende ser o que muitas vezes falta aos reitores e ao ensino superior: tempo de reflexão.

“Portugal precisa de ter uma agenda para a próxima década, não podemos pensar a curto prazo. Os reitores muitas vezes não têm tempo para pensar. Estamos sempre a ser solicitados com novas arquitecturas legislativas e estamos sempre em permanente resposta. Penso que é importante reflectir”, disse.

Desta primeira conferência e das que se lhe seguirem — ainda em 2019, antes das eleições legislativas, prevêem-se outras duas, nas universidades de Aveiro e do Porto — deve resultar uma agenda para a década, que dê ao ensino superior uma ideia delineada de futuro e permita, espera Maria de Lurdes Rodrigues, “construir alguns compromissos”.

“Deposito muitas expectativas. É a primeira de um conjunto de iniciativas e o país deve encontrar acordos antes de entrar na euforia eleitoral, na euforia da divisão dos fundos comunitários. Deve pensar no que deve defender, o que é melhor para o país para mais de uma legislatura. Só o facto de tanta gente já ter dito que sim, que vai participar, dos diferentes quadrantes políticos, para nós já é de grande importância”, disse, por seu lado, Fontainhas Fernandes.

Cada um dos painéis de discussão vai contar com um reitor — no papel de moderador, não de interveniente — e com um membro do Governo, ao qual caberá um comentário sobre os temas em debate por académicos e peritos, deputados, representantes sindicais, estudantes e outras individualidades.

“Os painéis procuram varrer as várias possibilidades de resposta à questão de como é que as instituições de ensino superior podem continuar a contribuir para aumentar a qualificação dos portugueses todos”, disse Maria de Lurdes Rodrigues.

O acesso ao ensino superior, o financiamento, as condições de vida dos estudantes, de alojamento e a acção social escolar, a comparação com os restantes países europeus e a inovação no ensino são temas e pistas para tentar explicar a razão de os jovens não prosseguirem estudos superiores, com Fontainhas Fernandes a apontar a importância de se olhar para a inovação como factor de atractividade.

“As universidades na próxima década têm que inovar. Nós temos hoje em dia à entrada nas universidades nativos digitais e que encontram espaços, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vistas das metodologias de ensino e aprendizagem, que exigem novos modelos. Acho que tudo deve ser analisado”, disse.

Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que Portugal “está ainda atrasado” para cumprir as metas europeias de frequência e conclusão do ensino superior e afirma que o número de estudantes “ainda não é suficiente para garantir o futuro do país”.

“O que precisamos é que os jovens estudem até tão tarde quanto possível. Não é para sermos todos doutorados, mas é para termos uma percentagem significativa dos jovens como activos qualificados”, disse a reitora do ISCTE, que sublinhou o papel das universidades na formação ao longo da vida e a importância de incluir os adultos no público-alvo das instituições.

E pede que as formações “sejam abertas”, que permitam continuar estudos, lembrando a vocação das universidades para produzir conhecimento e capacidade de “saber pensar e saber aprender”, recusando ainda uma aposta excessiva nas vias profissionalizantes.

“Os cursos superiores técnicos no ensino politécnico são muito importantes, mas hoje a política de ensino superior não pode ficar reduzida ao desenvolvimento desses cursos curtos profissionalizantes. […] Isso é apenas uma das dimensões de ensino e o ensino superior tem uma vocação para formar profissionais, mas tem uma vocação de produção de conhecimento e transferência desse conhecimento, que não se pode esgotar em cursos curtos, por mais estratégicos que possam ser em determinado momento”, conclui Maria de Lurdes Rodrigues.

Notícia do Público de 12/12/2018.