Dúvidas sobre as bolsas?
22 de Junho de 2018.
The art of Open Doors
28 de Junho de 2018.
A tertúlia será no dia 7 de Julho, às 11:00, no Colégio dos Jesuítas.

“O amor é casar com um homem de quem se gosta muito e que há de ser muito nosso amigo. E termos muitos filhos … E vivermos numa grande quinta, com muitos cães, muitos cavalos … e sermos muito ricos …” e “ o esquecimento de tudo, é a gente de cabeça perdida, numa vertigem, com os olhos vendados”. Assim trata o amor, “cruel e brutal”, Luzia, n’Os que se divertem (A comédia da vida), numa obra editada pela primeira vez em 1920 e recuperada no 1.º número da coleção Ilustres (Des)Conhecidos, e serve de mote para a discussão Comédia da Vida, no feminino.

Conforme nos conta a investigadora Cláudia Neves, numa época em que as mulheres apenas se atreviam a escrever sobre pedagogia, Luzia lança esta obra singular onde nada escapa ao seu olhar acutilante, dos políticos à moda, dos hábitos culturais à alta sociedade, todos são alvo da sua ironia, destacando-se, acima de tudo, a crítica feroz a uma sociedade que rejeita, mas à qual pertence e à mulher vaidosa que apenas procura cuidar da aparência e ocultar a idade e à mulher que inveja e desdenha as amigas íntimas, a “escrava do chic”, com mau gosto, falta de cultura e de educação.

Muitos poderiam ser os contributos e os autores a fazer espoletar esta discussão em torno da comédia que é a vida, no feminino, dado que o amor, a submissão, a vaidade, a luxúria, a inveja, a intriga, a maternidade e os afectos, a debilidade mas o engenho, a determinação e a astúcia têm sido, em conjunto ou per si, muito utilizados para debater o que é, afinal, ser mulher.

Alheadas de teorias e correntes de pensamento, e numa conversa orientada por Andreia Micaela Nascimento, Violante Saramago Matos, Cristina Pinheiro, Licínia Macedo, Luísa Spínola, Madalena Nunes, Lígia Brazão, Ana Isabel Portugal e Idalina Perestrelo testemunharão o que é, para si, ser/sentir-se mulher, que diferença (não) faz ser mulher na política, no emprego, na educação, na família, na arte, na música, no todo social, no próximo dia 7 de julho, pelas 11 horas, no auditório do Colégio dos Jesuítas do Funchal (Rua dos Ferreiros). A duração prevista é de 60 minutos.

Sobre a autora

LUÍSA SUSANA GRANDE DE FREITAS LOMELINO (Portalegre, 1875 – Funchal, 1945), que escrevia como Luzia, era filha do capitão Eduardo Dias Grande, natural de Portalegre, secretário-geral do Governo Civil do Funchal, e de Luísa de Freitas Lomelino, filha do morgado da Quinta das Cruzes, Nuno de Freitas Lomelino.

Tendo vindo, ainda criança, com o pai para Madeira, após o falecimento da mãe, acabará por voltar a Portalegre depois de perder também o pai. Regressará à Ilha quando atinge a maioridade e casa-se, em 1896, com Francisco João de Vasconcelos, tendo ido residir para o Solar da Nossa Senhora da Piedade, no Jardim do Mar. Este lugar, de forte presença marítima, alimentou profundamente o seu imaginário literário, sendo motivo em vários dos seus livros.

Após um período conturbado a seguir ao divórcio, depois de muito deambular pelo mundo, Luzia publicou o seu primeiro livro, já com 45 anos, editando seguidamente mais oito obras, até ao momento da sua morte. Foi uma leitora ávida e uma perpétua viajante, tendo-se cruzado com as principais figuras literárias da época.

Sobre a obra

Os que se divertem (A comédia da vida) foi pela primeira vez publicado em 1920, causando agitação no mundo das letras portuguesas. Numa época em que as mulheres apenas se atreviam a escrever sobre pedagogia, Luzia lança esta obra singular que é inovadora e mordaz. Nada escapa ao seu olhar acutilante, dos políticos à moda, dos hábitos culturais à alta sociedade, todos são alvo da sua ironia, destacando-se, acima de tudo, a crítica feroz a uma sociedade que rejeita, mas à qual pertence. O sucesso estrondoso da obra foi, também, atestado pelas suas reedições posteriores. Chegou finalmente o momento de a resgatar do esquecimento, e de trazê-la de novo ao público, nesta edição anotada e comentada, que porá certamente um sorriso travesso em quem a ler, constatando que o que é retratado no livro continua tão atual como em 1920.

Onde comprar? Na Wook, na Bertrand (em qualquer livraria do grupo), na Gaudeamus e noutras livrarias do país e da Madeira.

Sobre a colecção

A colecção Ilustres (Des)conhecidos, publicada sob a chancela da Imprensa Académica, pretende recordar ou apresentar autores e obras literárias que foram publicados no passado, mas que, temporal ou espacialmente distantes do público, devem compor o corpus literário madeirense, conhecido e acessível, para afirmação e edificação contínua da nossa Cultura e Arte.

1. Os que se divertem (A comédia da vida)

Sobre a Imprensa Académica

A actividade da Imprensa Académica, chancela editorial da Académica da Madeira, pretende fomentar a investigação científica nos estudantes e nos antigos estudantes da UMa, divulgar os trabalhos produzidos pelos membros da nossa Universidade e aproximar o leitor do conhecimento científico que não pode ficar restrito a um círculo próximo do ensino universitário. Aliado a este propósito objectivou-se dedicar estas publicações à angariação de receitas para o apoio social aos estudantes da UMa. Acreditamos que a produção e a venda de livros é um trabalho moroso, mas sabemos que é o caminho certo para o sucesso académico da nossa Comunidade Académica.

A equipa editorial da Imprensa Académica é composta por estudantes e por antigos estudantes da Universidade da Madeira (UMa). Profissionais, titulares do grau de licenciado ou do grau de mestre, dão formação e trabalham em conjunto com vários estudantes, investigadores e docentes.