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Prémios de investigação no Arquivo

Até dia 4 de Maio, mais de 3360 milhões de páginas arquivadas podem ser usadas para projectos de investigação. O melhor recebe dez mil euros.

Algumas das memórias deixadas pelas páginas da Internet de Portugal nos últimos 22 anos cabem em quatro armários com menos de dois metros de altura. Escondem perto de 80 servidores e ficam na Avenida Brasil, no edifício da Fundação para a Ciência e Tecnologia, em Lisboa. Contêm 3360 milhões de páginas Web (essencialmente, em português), criadas desde 1996 e que podem ser reencontradas no site Arquivo.pt.

Até dia 4 de Maio, aquelas páginas podem ser utilizadas para criar um projecto de investigação sobre qualquer tema. O melhor recebe 10 mil euros, com o segundo e o terceiro classificados a receberem 3000 euros e 2000 euros respectivamente. O objectivo é mostrar como preservar a Internet, permite reunir informação importante para outras áreas do conhecimento.

“Somos uma espécie de Google do passado,” diz ao PÚBLICO Daniel Gomes, o actual responsável pelo Arquivo. “Não o parece, mas a Internet é extremamente efémera. Há dados mostram que cerca de 80% das páginas criadas desaparecem ou são alteradas no período de um ano.” Há mais de dez anos que o investigador da Fundação para a Computação Científica Nacional trabalha na preservação do digital. Quem quiser, pode, no entanto, pedir ao Arquivo para não guardar as suas páginas.

O objectivo do Arquivo.pt é remediar a situação ao armazenar pedaços do passado digital. O problema, porém, é que ainda há muitas pessoas que não conhecem o projecto. “Este ano, com o novo concurso o objectivo é mostrar que o nosso site pode ser utilizado como uma enorme fonte de informação histórica”, diz Gomes. “Nas gerações futuras, ninguém se vai lembrar de páginas que não existem, ou que eram diferentes.”

Poucos se recordarão, por exemplo, da Cidade da Malta, uma espécie de “rede social” para crianças portuguesas criada final dos anos 1990 com o apoio da União Europeia. Lá, as crianças e jovens com acesso a computador já falavam em chats, coleccionavam patins (como likes), tiravam cursos virtuais e decoravam casas virtuais que funcionavam como páginas de perfil. Apesar de extinta, a rede pode ser recordada através do Arquivo. Já o Comezainas descrevia-se como “a primeira homepage feita de apetite virtual”. Havia também o Projecto Vertical: uma biblioteca online de obras clássicas portuguesas com cursos de literatura no valor de 2500 escudos, que podiam também ser adquiridos em versão CD-ROM.

O Comezainas é um dos sites preservados pelo Arquivo
“Há alguma confusão quando se diz que o que ‘vai para a Internet é para sempre’, porque causa danos alguém. A maioria das páginas na Internet desaparece num ano, mas num ano pode causar muitos danos a alguém”, esclarece Daniel Gomes. “É importante frisar que a informação pessoal não devia estar disponível publicamente na Internet.”

Notícia do Público de 12/03/2018.