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Um mês, Um tema: Levada do Rei

Levada do Rei

Dia 26 de Maio, sábado, a partir do Colégio dos Jesuítas do Funchal. O passeio e o transporte são gratuitos para os portadores do Passaporte Cultural. Caso não tenhas o teu, pode adquirir no acto de inscrição. O custo é de apenas 3 euros.

O termo levada refere-se aos ductos artificiais que servem à canalização das águas de regadio e de abastecimento, na Madeira. Ao longo das vertentes a Sul, as águas são levadas para onde são necessárias.

Ainda no século XV, com a criação do Senhorio da Madeira, em benefício do Infante D. Henrique, o Duque de Viseu, quis este príncipe português que, na Ilha, se cultivasse canas-de-açúcar, da Indochina, adquiridos na ilha da Sicília. A primeira experiência de cultivo deu-se no centro da baía do Funchal, onde se ergue actualmente a freguesia da Sé, no antigo Chão do Duque, propriedade do Infante. O sucesso da cultura e a qualidade do açúcar dela advindo, depressa fez substituir os antigos campos de pão por canaviais de onde saía o ouro branco dos Portugueses. O segredo eram as condições agrícolas da Madeira: o seu solo vulcânico rico em nutrientes, o clima ameno e a humidade atmosférica. À Capitania do Funchal, o grande engenho do açúcar português no quatrocentos, faltava apenas uma condição – água em abundância.

A norte as vertentes da Madeira, expostas aos ventos alísios e às correntes do Atlântico, apresentam-se como grandes paredes rochosas, que obrigam à rápida subida das nuvens formadas no oceano. Sobre as montanhas da Ilha, as nuvens envolvem, numa bruma quase constante, a ancestral Floresta Laurissilva, onde os diferentes bosques de lauráceas condensam a água e a infiltram em grandes aquíferos que, ainda hoje, asseguram a maior parte do abastecimento da população madeirense. Logo os madeirenses perceberam que a maior parte da água caía sobre as vertentes do Norte, deixando o lado Sul da Madeira abastecido por ribeiras que não chegavam a todos os campos. A febre do açúcar leva o Ducado de Viseu e, mais tarde a Coroa, a mandar fazer canais de regadios conhecidos como as levadas, primeiro em estruturas de Madeira e posteriormente grandes sulcos nas encostas.

Nos últimos 200 anos, o número de levadas aumentou grandemente, formando uma vasta teia de cerca de 3000km, que constituem o sistema circulatório da Madeira.

O sistema de levadas constitui um dos ícones do Arquipélago e a Académica da Madeira não podia deixar de dar a conhecer esta herança madeirense que é património de toda a humanidade.

Na freguesia de São Jorge, no Norte da Ilha, a mais de 500m de altitude, a Levada do Rei estende o seu percurso pedestre ao longo de mais de 5km, permitindo admirar magníficas paisagens da aldeia de São Jorge e da Cidade de Santana, montes e vales revestidos com os bosques da Laurissilva, túneis e várias estruturas associadas à levada como um moinho e uma serração.

O passeio será conduzido por Marco Livramento, colaborador do Diário de Notícias, fotógrafo e autor de algumas obras sobre as levadas da Madeira, no dia 26 de Maio.

O transporte, assegurado pela Académica da Madeira, partirá do Colégio dos Jesuítas, às 8:30, e recomenda-se aos participantes que tragam calçado adequado, lanche e agasalho.

Sobre a Herança Madeirense

‘Um mês, um tema’ é uma iniciativa que integra o nosso programa Herança Madeirense que congrega a oferta cultural e turística, promovida pela Académica da Madeira. Materializa-se através da dinamização de vários monumentos e atracções do Funchal onde são promovidos um conjunto amplo de serviços com destaque para as visitas educativas gratuitas que são proporcionadas aos estabelecimentos de ensino de toda a região. Além disso, a Herança Madeirense oferece, gratuitamente, saraus de música, exposições, visitas culturais temáticas, áudio guias, circuitos autónomos de História e outras iniciativas.

Colégio dos Jesuítas do Funchal, a Igreja de S. João Evangelista, os Paços do Concelho do Funchal, a Assembleia Legislativa da Madeira, o Mosteiro de Santa Clara, o centro histórico da cidade e, desde Novembro de 2017, a Quinta Vigia são os monumentos e as atracções que estão integradas no nosso programa.

Através dos circuitos culturais e históricos os nossos colaboradores ajudam o visitante a conhecer o rico património material e imaterial da nossa região, permitindo que o visitante explore como esses monumentos, e os seus ocupantes, ajudaram a moldar a nossa sociedade. A Associação Académica angaria os seus próprios fundos e depende do apoio dos seus visitantes, doadores, mecenas e voluntários. Através dos proveitos das visitas conseguimos financiar vários programas de apoio social cujos beneficiários são os estudantes da Universidade da Madeira.

Vencedor, em 2017, de dois prémios nacionais, o Prémio de Boas Práticas do Associativismo Jovem, atribuído pelo Instituto Português da Juventude e Desporto, e o Prémio de Voluntariado Universitário, promovido pelo Santander Totta, a Herança Madeirense segue apostando na capacitação dos seus colaboradores e na excelência dos seus serviços.